Com prazo para desincompatibilização praticamente esgotado, Joaquim Barbosa não disputará eleição

Marcelo de Moraes

04 de abril de 2014 | 14h40

Um dos movimentos mais importantes para a composição final do cenário de disputa presidencial está praticamente definido. Nessa sexta, termina o prazo para que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, se desincompatibilize do posto se quiser concorrer a algum cargo eletivo. Segundo interlocutor próximo do ministro, ele decidiu que não vai concorrer a nada em 2014.

Se quisesse ser candidato ao Palácio do Planalto ou a uma vaga para o Congresso, Joaquim precisaria sair do Supremo hoje e se filiar a algum partido até amanhã, dia 5, quando se completa o prazo de seis meses antes da data de votação.

A saída de Joaquim da disputa elimina uma candidatura que inquietava o Palácio do Planalto. Além de não saber até onde a popularidade do ministro seria capaz de levá-lo depois de toda a projeção garantida durante o julgamento do Mensalão, o governo tinha certeza que com sua presença na cédula eleitoral seria impossível definir a eleição já no primeiro turno. Sem Joaquim, os adversários competitivos para a reeleição da presidente Dilma Rousseff se restringem, agora, ao senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e ao agora ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que se desincompatibilizou ontem do cargo.

Joaquim preferiu preservar sua imagem pública a tentar uma candidatura ao Planalto. Se virasse candidato, sua isenção durante o julgamento do Mensalão seria automaticamente questionada, já que deixaria claro, com a candidatura presidencial, que tinha interesses políticos no caso que condenou vários integrantes da cúpula do PT. Sem concorrer, poderá se preparar, se for o caso, para uma disputa em 2018 sem ficar exposto a esse tipo de crítica.