Nova coordenação política do governo só vai funcionar se tiver poder de fogo para negociar

Marcelo de Moraes

01 de abril de 2014 | 16h53

A presidente Dilma Rousseff deu hoje posse ao deputado federal como ministro das Relações Institucionais de seu governo. Na prática, caberá a ele fazer a ponte do Palácio do Planalto com o Congresso e garantir que a articulação política funcione. Parece simples, especialmente com a imensa base de apoio que Dilma possui. Só que a tarefa talvez seja a mais difícil de todas dentro do primeiro escalão presidencial.

Berzoini é o terceiro ministro que recebe essa incumbência desde a posse da presidente em 2011. O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) durou cinco meses no cargo. A ex-senadora Ideli Salvati (PT-SC) resistiu mais tempo, mais de dois anos e meio, mas está sendo substituída na função porque a relação do governo com seus aliados não está funcionando.

Especialmente porque sua atuação esbarrou no estilo Dilma de governar, onde as decisões são centralizadas por ela. Para os aliados, o governo tem sido ineficiente na liberação de emendas, acerto de palanques regionais, atendimento pelos ministérios, entre outras coisas. Pode até ser uma agenda com cara de fisiologia. Mas o governo, como seus antecessores, se dispôs a manter esse tipo de relacionamento com o Congresso. Portanto, não pode se queixar quando ele vira tema central das negociações.

Embora seja parlamentar há 15 anos e tenha presidido o PT, Berzoini só tem uma chance de ver sua missão ter sucesso. Se Dilma lhe der autonomia para negociar com os parlamentares e receber poder para cumprir os acordos acertados, aí sim terá chance de criar um canal de comunicação. Do contrário, poderá até sobreviver no cargo, mas será um interlocutor de baixa funcionalidade.

Um dos indicadores que pode ser muito complicado esse trabalho é que, a princípio, Berzoini vai concentrar sua atuação com os deputados, deixando os senadores para o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Ou seja, se isso for confirmado, começará seu papel já com limitações.

Apesar da restrição, o governo aposta na capacidade política de Berzoini para azeitar a relação com sua base. O momento é estratégico para conseguir algo desse tipo. Afinal, a oposição conseguiu as assinaturas necessárias para instalar a CPI da Petrobrás e o governo precisa organizar sua estratégia para evitar que a comissão se transforme num palco eleitoral, o que poderia contaminar, de quebra, a campanha pela reeleição de Dilma. Mas, para que sua movimentação tenha sucesso, o novo ministro precisará ter a chancela da presidente sob pena de ser mais um articulador sem força para atuar nesse tabuleiro.