Rumos da CPI vão depender da expectativa de poder de Dilma

Marcelo de Moraes

28 Março 2014 | 12h38

Políticos são capazes de fazer tudo, menos cavar a própria sepultura. Essa lógica vai valer para se ter uma noção de quanto a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás vai poder avançar ou não nas suas investigações. A presidente Dilma Rousseff tem hoje uma base aliada que representa maioria absoluta no Congresso. A questão é saber se essa turma, cada vez mais insatisfeita com o governo federal, manterá a fidelidade ou se vai entregar a presidente à própria sorte.

A chave para entender o que vai acontecer passa pela campanha eleitoral e pela expectativa de poder que Dilma terá ou não a partir do próximo ano. Líder absoluta nas pesquisas de intenção de voto até agora, a presidente tem uma vantagem sobre seus adversários que lhe garantiria sossego para atravessar 2014 sem grandes sustos e rumo à reeleição. Só que esse cenário hoje não é mais tão seguro. A pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta o crescimento preocupante para Dilma dos indicadores de insatisfação e desaprovação de sua administração, incluindo áreas importantes como Saúde e Educação.

Se a queda da aprovação do seu governo começar a se reproduzir nas pesquisas de intenção de voto, Dilma corre o risco de sofrer uma crise de confiabilidade que pode influenciar na administração da CPI.

A pesquisa feita pelo Ibope registra um cenário anterior à crise da Petrobrás, ao rebaixamento da nota de risco do Brasil pela Standard & Poor’s e à possibilidade da recomendação de economia de energia pelo ministro das Minas e Energia, admitida pelo ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, em entrevista ao Wall Street Journal. Assim, será natural se essa sequência de fatos negativos desgastar a imagem da presidente e faça com que perca pontos na disputa presidencial.

Se sua imagem permanecer blindada, apesar dos problemas, e Dilma se mantiver absoluta nas pesquisas, a CPI pode se tornar uma cidade fantasma, esvaziada pela falta de interesse da maioria e assombrada apenas por uns poucos parlamentares de oposição. Mas se essa expectativa de poder de Dilma se reduzir, como parece provável, não será surpresa ver deputados e senadores governistas demonstrarem um grande empenho na condução das investigações, já espichando o olho para um eventual governo de oposição em 2015.

Dilma passa por um período muito difícil do seu mandato especialmente porque o timing não lhe permite muito tempo para reação. Assim, se conseguir atravessar o próximo trimestre sem perder pontos ou apenas caindo ligeiramente, tem tudo para liderar a campanha sucessória e se reeleger. Mas se a agenda negativa que hoje tomou conta do seu governo não se desfizer, a presidente vai precisar de muito esforço para renovar seu mandato presidencial.