Oposição agora quer tentar destravar CPI da Petrobrás

Marcelo de Moraes

19 Março 2014 | 09h22

Depois da confirmação feita pela presidente Dilma Rousseff ao Estado revelando que a compra da refinaria de Pasadena só foi feita pela Petrobrás por conta de pareceres falhos, a oposição acha que tem elementos suficientes para tirar do papel uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a estatal. Além do escândalo da compra da refinaria de Pasadena, parlamentares de oposição lembram que acaba de ser criada uma comissão externa da Câmara para investigar outra suspeita de irregularidade envolvendo a empresa com o suposto recebimento de propina de seus funcionários.

“Já existem elementos mais do que suficientes para justificar a abertura de uma CPI” avalia o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), vice líder da bancada do seu partido.

O problema que a oposição vai enfrentar agora é como fazer para que a CPI ande. Já existe um requerimento para criação da comissão para investigar as irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, feito pelo deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). O problema é que a proposta de CPI é a décima na fila esperando para ser instalada.

Assim, para andar,precisaria uma decisão política da Camara para furar essa fila. Ou então, o recolhimento de assinaturas para abrir uma CPI mista com o Senado, o que garantiria funcionamento imediato. Mas, para isso,necessitará de apoio político entre os senadores, o que ainda não é garantido.

O governo é contra a CPI. Para o Planalto, todas as denúncias estão sendo investigadas nas instâncias cabíveis. E, claro, quer evitar que o caso se transforme num oba oba político eleitoral feito pelos seus adversários. Para reforçar essa posição, lembram que a presidente Dilma foi extremamente transparente na nota oficial que enviou ao Estado falando sobre o caso e admitindo a existência de problemas.

A oposição, porém, acha pouco porque sabe que a CPI tem poderes de investigação que podem alcançar a totalidade das irregularidades que teriam sido cometidas na compra da refinaria americana.