Governistas apresentam quadro otimista para agência de risco

Marcelo de Moraes

14 Março 2014 | 19h08

O governo tem apresentado uma visão otimista sobre o cenário econômico e político para os integrantes da missão da agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Além das questões ligadas à macroeconomia, os analistas da S&P perguntaram sobre diversos outros assuntos abrangendo a turbulência política no Congresso, as perspectivas para as eleições deste ano, bem como sobre um eventual segundo mandato de Dilma Rousseff e as manifestações populares que sacudiram o País em meados de 2013 e ainda repercutem.

Existe a preocupação dentro do governo com um eventual rebaixamento da nota de crédito do Brasil, o que criaria um clima de pessimismo dentro da economia e poderia contaminar negativamente todo o governo.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, foi um dos que integrantes do governo que conversaram com os integrantes da missão da agência. Procurado pelo blog, o ministro disse que foi perguntado sobre a evolução do setor das Comunicações, especialmente sobre internet e inclusão digital, além do leilão de 4G programado para meados deste ano.

No caso específico do leilão 4G, Paulo Bernardo disse, em entrevista ao blog, que informou que “o Tesouro manifestou interesse na arrecadação do leilão para ajudar a cumprir a meta fiscal deste ano e admitimos que parte das obrigações que seriam imputadas ao compradores da radiofrequência serão suprimidas, para tornar a faixa mais atraente para as empresas e melhorar a receita a ser obtida”.

A missão também quer saber do governo brasileiro uma avaliação sobre protestos populares e também sobre a crise com a base aliada no Congresso. Ex-deputado federal, casado com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o ministro foi questionado sobre os temas.

“Nesse ponto sobre avaliação da política brasileira, foi feita a consideração de que o grande número de partidos no Congresso obriga o governo a negociar sempre a formação de maioria para garantir apoio aos seus projetos e sua sustentação parlamentar e consideramos exagerada a agitação no Congresso”, explica o ministro.

“Além disso, a proximidade das eleições aumenta o nervosismo na base parlamentar. Muitos deputados acham que o governo “se esquece” de que haverá eleições também para o Legislativo e parece preocupar-se apenas com as eleições para presidente e para os governos estaduais. Também as disputas entre os partidos e, mesmo aquelas que ocorrem dentro dos partidos, acirram ainda mais o quadro”, acrescentou.

Paulo Bernardo confirmou que contou à missão que sua avaliação é que essa crise com a base “não se mantém”. “Porque tanto o governo quanto os parlamentares querem pacificar. Além disso, o calendário é muito apertado. Emendas parlamentares, por exemplo, só podem ser liberadas até o final de junho. A reforma ministerial será encerrada até o início de abril. Por isso, o interesse e a tendência é de acalmar a crise, seguindo as negociações”, diz ao ser questionado sobre a conversa com a missão.

Sobre as manifestações, o ministro descreveu seu histórico. “Começaram contra o aumento das passagens do transporte coletivo, ampliaram contra a má qualidade dos serviços, depois contra os políticos e contra tudo que aí está. Com o crescimento do emprego e da renda, tivemos um grande aumento da classe média, com inclusão no mercado de consumo. Dai, vem uma maior exigência por qualidade”, disse. “Expliquei que há melhoras nos serviços de Saúde, avanços na Educação, a classe C agora manda seus filhos para a universidade. Mas não quer mais ser transportada em condições indignas do ser humano. O transporte público tem deficiências que o tornam cruel. E essa classe média quer melhor qualidade nos serviços em geral. Na seqüência imediata, as manifestações voltaram-se contra os governos e contra os políticos. Contra tudo isso que aí está”, contou.

Na conversa, Bernardo aproveitou para elogiar o comportamento da presidente Dilma Rousseff nesse período. “Se houve uma liderança que posicionou-se sobre as manifestações e ofereceu saída, apresentou propostas que buscavam dialogar com as manifestações, foi a presidenta Dilma. Disse isso a eles”, afirma.

Os analistas da S&P também deixaram claro seu interesse sobre como serão os fundamentos da macroeconomia, em caso de reeleição de Dilma.

“Eu respondo que a presidenta Dilma sabe a importância de termos bons fundamentos macroeconômicos e vamos seguir zelando por essas boas condições. O combate à inflação é prioridade para o governo. Aliás, já completamos dez anos seguidos de inflação contida nos marcos que definimos como meta anual. Nossa dívida seguirá em trajetória descendente.