No Congresso, oposição vai pedir convocações em massa de autoridades do governo

Marcelo de Moraes

10 Março 2014 | 18h31

Parlamentares da oposição preparam uma ofensiva que vai exigir esforços redobrados do governo federal. Se quiser blindar seus ministros e outros integrantes importantes, o governo vai precisar monitorar, a partir de quarta-feira, as comissões técnicas do Congresso. Uma série de requerimentos de convocação será colocada em pauta pelas comissões e os pedidos podem ser postos em votação na mesma sessão.

O plano da oposição independe da adesão ou não dos rebeldes do PMDB. A ideia é tentar desgastar a imagem do governo e colher frutos eleitorais falando sobre denúncias e supostas irregularidades cometidas. Faz parte da estratégia de campanha contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Se o PMDB aderir e ajudar com esse tipo de ofensiva, tanto melhor, avaliam.

Somente na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, uma lista de requerimentos desse tipo será posta em discussão. Ao todo, a pauta da comissão inclui dezoito itens. Desses, onze são de convite ou convocação de ministros e presidentes de instituições governamentais.

A lista de convocações de governistas é extensa:

O deputado João Arruda (PMDB-PR) requer que seja convocado o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para prestar esclarecimentos sobre o processo de pregão eletrônico nº 21/2013 (Projeto Segundo Tempo).

Já o tucano Carlos Brandão (MA) requer que seja convocado o Ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, para prestar esclarecimentos sobre o andamento das obras de mobilidade urbana e uso de simuladores. Ele também pede a convocação da Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, para prestar esclarecimentos sobre o andamento das obras do PAC.

Outro deputado do PSDB, Vanderlei Macris (SP), deseja que seha convidada a Presidente da Petrobras, Graça Foster, para prestar esclarecimentos sobre as denúncias envolvendo contratos firmados entre a estatal e a empresa SBM Offshore, bem como as providências adotadas no âmbito interno sobre as referidas denúncias. Pelo mesmo motivo, pede a convocação do ministro de Minas e Energia Edison Lobão.

Alexandre Leite, do DEM paulista, vai tentar convidar o Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, para prestar esclarecimentos sobre repasses de recursos da instituição à entidade ligada ao MST. O deputado pede ainda convite para o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, prestar esclarecimentos sobre o mesmo tipo de repasse para o MST.

A blitz contra os governistas foi deflagrada em todas as áreas e colocou o programa Mais Médicos na alça de mira. O líder do Democratas, Mendonça Filho (PE), apresentou uma representação na Procuradoria-geral da República contra o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e o ex-ministro da Pasta, Alexandre Padilha. Ele está pedindo que o Ministério Público investigue ambos por suposto crime de responsabilidade na implantação e execução do Programa Mais Médicos.
O DEM também protocolou representação no Conselho de Ética da Presidência da República e requerimentos de convocação de Chioro nas Comissões de Fiscalização e Controle, Trabalho e Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.
O deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) foi outro que apresentou requerimentos de convocação dos ministros da Saúde e do Trabalho (Manoel Dias) na Comissão de Seguridade Social e Família pedindo esclarecimentos sobre a violação dos direitos dos médicos que atuam no Mais Médicos.