Discussões sobre reforma ministerial ultrapassam a marca de 150 dias

Marcelo de Moraes

03 Março 2014 | 11h53

Há 154 dias, Fernando Bezerra Coelho deixava o cargo de ministro da Integração Nacional por conta do desembarque do PSB do governo federal. No mesmo dia, o PMDB, instado pela presidente Dilma Rousseff, apresentou o nome do senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) para ocupar a vaga, deflagrando o processo de reforma ministerial dentro do governo.

Mais de cinco meses depois, Dilma não conseguiu resolver as mudanças no seu primeiro escalão. Pior: a reforma que era feita para aproximar ainda mais os partidos aliados de sua campanha pela reeleição só serviu para irritar os integrantes de sua base e desgastar os políticos envolvidos no processo.

Durante esse período, o processo de negociações foi tão confuso que viu ministros tomarem posse na Casa Civil, Educação, Saúde e Secretaria de Comunicação Social, enquanto outras pastas, justamente as que seriam ofertadas aos aliados, foram parar no limbo.

Nesse vai e vem, alguns partidos dormiram com indicações certas para uma determinada pasta e acordaram com o oferecimento de cargos completamente diferentes. Teve ministro novo empossado, como o da Saúde, Arthur Chioro, que já foi até exonerado do cargo para poder assumir a vaga ganha num concurso público e retornou ao posto. No meio disso tudo, porém, os nós mais cegos continuam atados.

O PMDB já sabe que Vital do Rêgo, agora, irá para o Turismo. Assumirá o cargo, mas não esquece o período em que ficou sendo cozido pelo governo e que lhe provocou desgastes. Integração Nacional só iria para o PMDB se o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) topasse desistir de sua candidatura ao governo do Ceará e ajudasse Dilma a ter um palanque único no Estado em torno do candidato que for indicado pelo governador Cid Gomes, do PROS. Eunício não aceitou, também se sentiu ofendido pela pressão do governo federal e manterá a candidatura. Se o cargo tivesse sido oferecido no início das conversas, poderia até ter topado. Depois, avaliou que se aceitasse pareceria que sua candidatura tinha sido apenas um pretexto para barganhar um ministério, coisa que nem estava em seu radar, uma vez que seu alvo é o governo local.

PTB e PSD também podem ganhar espaços, mas já não sabem o que receberão e nem faz mais tanta diferença. O PSD já é aliado oficial da candidatura de Dilma e gostaria de receber um espaço mais confortável no governo, pelo tamanho de sua bancada de deputados federais. Hoje possui apenas o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que é Guilherme Afif Domingos. Mas o partido atribui a escolha à cota pessoal da presidente. Sem ampliar seu espaço, não deixará de apoiar Dilma. Mas não se vê constrangido em negociar acordos regionais com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em Minas Gerais e com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ambos adversários de Dilma na corrida presidencial.

Já o PTB sonhava com Integração Nacional, topava Turismo, espera ainda receber Portos e nem sabe mais o que ouvirá de Dilma depois do Carnaval. Fora do governo até agora, aguarda a conclusão da negociação para saber se vale a pena fechar ou não uma aliança nacional em torno da reeleição da presidente.

O certo é a reforma iniciada mais de cinco meses atrás mostrou como a articulação política do governo tem sido um de seus pontos mais vulneráveis e tem provocado boa parte dos problemas de relacionamento com a base. Num ano eleitoral, essa fragilidade nunca é uma boa companheira.