Programa de Eduardo Campos defende candidaturas sem filiação partidária

Marcelo de Moraes

04 de fevereiro de 2014 | 16h32

Com um documento de 70 páginas, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), fez hoje o primeiro movimento político mais orgânico da campanha presidencial. Ao lado de sua provável candidata a vice-presidente, a ex-senadora Marina Silva (PSB), Campos lançou as diretrizes do programa que adotará em sua gestão, caso vença a corrida presidencial. Enquanto Dilma se desgasta com o varejo das negociações da reforma ministerial com os partidos da base e vê o PT não virar nunca a página da agenda do mensalão, o dissidente Campos trouxe a público seu primeiro pacote de ideias para se contrapor ao governo.

Além de marcar claramente seu papel de oposição, encerrando ilusões que grupos governistas ainda alimentavam, Campos trouxe propostas que sinalizam cenários novos no futuro político.

Na defesa da reforma política, propõe a liberação de candidaturas avulsas. A medida, que precisaria ser aprovada pelo Congresso, na prática, significa que quem quiser disputar eleições não precisará mais estar filiado a algum partido. Se aceita por deputados e senadores, representará uma mudança radical  e abrirá espaço para que qualquer pessoa dispute sem precisar se submeter a acordos políticos partidários.

Exemplo prático: se a proposta já valesse, Marina Silva poderia concorrer ao Planalto sem ter que fundar alguma legenda ou buscar abrigo no guarda-chuva que o PSB lhe ofereceu quando a Rede não conseguiu legalizar sua existência. Ou então o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, poderia também fazer o mesmo, sem necessidade de entrar em alguma sigla.

“A crise contemporânea da política é, em boa parte, crise da representação eleitoral, que possui nos partidos políticos os instrumentos de mediação entre eleitos e eleitores. Este sistema não mais produz legitimidade suficiente, o que mostra a fragilidade da democracia representativa”, diz o texto.

“Por isso, é necessário, complementarmente, criar novos mecanismos de participação popular que possibilitem, inclusive, o revigoramento da democracia representativa, aumentando sua legitimidade. A política precisa reconectar eleitos e eleitores”, acrescenta o documento.

Para conseguir isso, lógico, Campos precisa fazer sua campanha deslanchar. Hoje ele ocupa a terceira colocação nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Dilma e do senador tucano Aécio Neves (MG). Por conta disso, precisa também botar seu bloco na rua de forma mais rápida e visível. Precisa, como começou a fazer hoje, dizer publicamente o que pretende fazer como alternativa ao governo federal que decidiu abandonar.

Campos mira a reforma política como reflexo dos protestos populares de junho. Dilma também defendeu um movimento que arejasse a política e Aécio prega o fim da reeleição e a adoção do sistema distrital misto. Os três entenderam o recado dado pelas ruas dizendo que o sistema político precisa de algum tipo de mudança que o torne respeitável e legítimo. O problema é que o candidato eleito precisará de um enorme apoio popular para conseguir dobrar os parlamentares para aprovar algo que altere e ameace o desgastado sistema político vigente.

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