Crise de Lisboa encobriu efeito da passagem de Dilma por Davos

Marcelo de Moraes

30 Janeiro 2014 | 12h13

O governo iniciou 2014 tendo como primeiro objetivo o de transmitir confiança para os investidores e empresários. Com sua credibilidade abalada por conta de manobras contábeis – nunca admitidas por qualquer integrante da equipe econômica – o governo escolheu o local perfeito para passar o recado: o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos e que tinha sido esnobado pela presidente Dilma Rousseff nos três anos anteriores de sua gestão.

Dilma foi a Davos e foi um consenso que sua fala foi bem avaliada pelos presentes e poderia, de fato, reforçar a confiabilidade externa na economia nacional.

O problema é que, rapidamente, o assunto foi esquecido diante da crise provocada pela escala não divulgada que Dilma e sua comitiva decidiram fazer em Lisboa. Fora da agenda oficial, a parada em Portugal foi revelada pela reportagem do Estadão. Depois, o governo usou a falta de autonomia da aeronave e condições climáticas adversas para justificar a escala não anunciada. O problema é que a parada já estava decidida em Davos, o que derrubou a veracidade da versão do mau tempo.

Comer bacalhau num restaurante com estrela do Guia Michelin, tomar vinho, se hospedar em hotel de primeira categoria pode até ter uma face pop e alimentar o discurso de quem quer bater no governo com intenções políticas ou não. Mas não é o problema principal. A falta de transparência do governo em divulgar uma atividade da presidente é o ponto central.

Assim, em vez de estar faturando o bom desempenho da passagem por Davos, o governo passou os últimos dias se explicando sobre a escala em Lisboa e a presidente precisou se expor afirmando que pagava suas próprias contas em restaurantes.