Em ano eleitoral, fantasma dos protestos volta a assombrar governantes

Marcelo de Moraes

26 Janeiro 2014 | 08h33

Os protestos de sábado pelo Brasil, especialmente o ocorrido em São Paulo, fazem o governo ligar novamente sua luz de alerta. Se ainda estão longe de reproduzir o impacto provocado pelas manifestações de junho do ano passado, servem para trazer de volta à memória da presidente Dilma Rousseff e de seus aliados o potencial de estrago político que podem causar.

É só recordar. Depois que os manifestantes ocuparam as ruas, protestando especialmente contra a péssima qualidade dos serviços públicos e contra a corrupção dos políticos, todos os governantes tiveram impressionante queda de popularidade. Nós três anos do mandato de Dilma até agora, esse foi o único fato que ameaçou concretamente suas chances de reeleição. Segundo dados do instituto Datafolha, Dilma teve uma queda de vinte e um pontos percentuais em menos de um mês, durante aquele período, no quadro de que mostrava as intenções de voto para as eleições de 2014.

Não foi a única a derreter nas pesquisas. Se Dilma conseguiu recuperar gradualmente sua popularidade, outros, como o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, simplesmente derreteram politicamente depois dos protestos.

É esse fantasma dos protestos que hoje assusta muito mais o Palácio do Planalto do que seus adversários na eleição. O sinal que os manifestantes de junho de 2013 transmitiram foi o da cobrança por maior qualidade nos serviços públicos  e o de intolerância com gastos elevados ou com casos de corrupção. O mote dos protestos de domingo foi a despesa excessiva com a organização da Copa do Mundo. A julgar pelo que houve ontem, com a reaparição dos Black Blocs, as manifestações terão lances de violência outra vez e podem se alongar até junho, período de realização do evento. Somando isso ao ainda efervescente movimento dos rolezinhos, fica claro perceber que as ruas ainda poderão ser a principal arena das disputas eleitorais de 2014.