O que seria do mundo sem ELAS?

Humberto Dantas

08 de março de 2021 | 13h47

Neste 08 de março de 2021, o blog Legis-Ativo perguntou aos seus componentes o que seria da política sem mulheres incríveis e transformadoras. A escolha de cada autora e autor gerou como resultado algo absolutamente potente. Confira abaixo e, naturalmente, pense na força das mulheres em ambientes políticos com os quais você tem relação, ou pelo qual tenha interesse.

 

O que seria da…. sem essa mulher incrível?

 

– O que seria do debate da sub-representação de mulheres nas arenas decisórias, tão usual nos dias de hoje, se não fossem as pesquisas sobre o tema da professora Lúcia Avelar nos anos 1980 e 1990? – Graziella Testa

 

– O que seria das pesquisas sobre as presidências, governos de coalizão e legislativos, se não fossem as análises robustas e sofisticadas da professora Dra. Magna Inácio (coordenadora do PRILA e professora do DCP da UFMG)? – Luciana Santana

 

– O que seria da política brasileira se não tivéssemos eleito a primeira mulher trans, Erica Malunguinho, abrindo caminho para tantas outras? Se Erika Hilton não tivesse sido a vereadora mais bem votada da cidade de São Paulo? Se Robeyoncé Lima não tivesse sido a primeira deputada travesti eleita em Pernambuco? – Hannah Maruci

 

– O que seria das pesquisas da Ciência Política que tratam do Poder Judiciário e da justiça como um todo, se não fossem os esforços absolutamente estratégicos, seminais e essenciais da professora Dra. Maria Teresa Sadek do Departamento de Ciência Política da USP? – Humberto Dantas

 

– O que seria da Ciência Política brasileira se não fossem a capacidade, a inventividade e competência da Professora Dra. Argelina Figueiredo, pesquisadora do IESP/UERJ e professora aposentada pela Unicamp, responsável por diversas pesquisas e achados de suma importância para nossa área? – Vítor Sandes

 

– O que seria das pesquisas e dos estudos sobre coligações partidárias no Brasil sem as contribuições, a dedicação e o exemplo da Professora Dra. Silvana Krause do Departamento de Ciência Política da UFRGS? – Carol Corrêa

 

– O que seria da agenda de pesquisas sobre  partidos, sistemas partidários e democracia no Brasil sem o trabalho pioneiro, apreço pela ciência e dedicação irrestrita das Professoras Maria do Carmo Campello de Souza, Maria D’Alva Kinzo e Rachel Meneguello? Meneguello é Fundadora do Centro de Estudos de Opinião Pública e Editora da revista que leva o mesmo nome, o que seria da Opinião Pública sem ela? – Marcela Tanaka e Lara Mesquita

 

– O que seria da Ciência Política se não tivéssemos mulheres incríveis e dinâmicas como as professoras Celina Souza e Marta Arretche como precursoras dos estudos sobre políticas públicas no Brasil? Souza e Arretche são grandes referências nas políticas públicas porque trouxeram as discussões basilares dessa arena temática, além de abrirem caminho para novas agendas – Luciana Santana e Michelle Fernandez 

 

– O que seria da agenda de políticas públicas sociais e do combate à desmistificação do “papel de uma primeira-dama” se a antropóloga Ruth Vilaça Correia Leite Cardoso não tivesse encarado a pauta social? Ruth teve uma admirável formação acadêmica, em uma época em que o ensino universitário para as mulheres ainda era muito restritivo. Ela acreditava em programas que apoiariam a mudança da realidade brasileira, como a fome. Iniciativas como Comunidade Solidária, Universidade Solidária e Capacitação Solidária são alguns dos exemplos, além de ter colaborado com o futuro “Bolsa Família”.  – Haline Floriano

 

– O que seria dos estudos legislativos, da análise sobre elites parlamentares, sem a pesquisa e as contribuições de Fátima Anastasia e Magna Inácio? – Leon Victor

 

O que seria da Ciência Política baiana sem a sensibilidade de escuta, interação e apresentação de conceitos fundamentais sobre democracia, representação e movimentos sociais de Maria Victória Espiñeira González? Durante três décadas, tem formado gerações de cientistas sociais preparados de maneira profunda e plural quanto aos debates atinentes à teoria democrática contemporânea. – Cláudio André de Souza

 

–  O que seria da Ciência Política, com “C” maiúsculo nesse Brasil de norte a sul  sem as 12 mulheres incríveis  que insistem, resistem e lutam diariamente para fornecerem informações e conhecimento de ponta, de forma didática e leve no Blog do Legis-Ativo? São mulheres que mostram para mim e para todo o Brasil que ser mulher e cientista política em pleno século XXI não é fácil, mas que é um sonho possível. Sobre mulheres que me inspiram e que lutam ao meu lado. – Joyce Luz

 

– O que seria do astral, da inteligência e da capacidade analítica do podcast semanal desse blog se não fosse a Dra. Graziella Testa? Bem como, o que seria da história desse blog se não fosse o trio Andressa Pellanda, Tainá Shimoda e Haline Floriano, essas jornalistas incríveis e suas diferentes capacidades e formas de aguentarem um bando barulhento de cientistas políticos? – Vitor Oliveira

Por fim, nossa homenagem coletiva à primeira mulher eleita para governar uma cidade no Brasil, em 1928, quando sequer a mulher tinha nacionalmente o direito ao voto. Alzira Soriano, prefeita de Lages (RN). À primeira mulher a governar um estado, Roseana Sarney (MA). À primeira mulher eleita a governar o país, Dilma Rousseff. À única que governa uma capital hoje, Cinthia Ribeiro (Palmas-TO), e à única que atualmente governa um estado brasileiro, Fátima Bezerra (RN). A despeito de biografias, carreiras, posições ideológicas e conquistas, elas representam o que existe de mais democrático no universo da política: a diversidade, o acesso e a inspiração para tantas outras mulheres que seguem ou desejam seguir caminhos semelhantes.

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