O próximo passo: a democracia ágil

Humberto Dantas

18 de novembro de 2020 | 11h50

*Texto escrito por Luciana Elmais, sócia da Legisla Brasil, uma sociedade sem fins lucrativos que acredita no poder das equipes em transformar a política.

Chegamos ao fim de mais uma corrida eleitoral para o Legislativo. Passadas as semanas recheadas de análises políticas sobre as vitórias e derrotas para cada partido ao redor do Brasil, está na hora de falar sobre o próximo desafio.

Mais do que nunca precisamos discutir como nossos novos vereadores irão transformar todas as promessa de campanha em realidade. Os mandatos de 2021 encontrarão desafios novos, em um ano de crise sanitária e econômica, com necessidades locais latentes e pressão social em ascensão.

A urgência fará com que o tempo e desafios do Legislativo, sejam outros e que parlamentares, da renovação ou tradicionais, tenham que apostar na inovação e criatividade para atender as expectativas da população.

A inovação, que já estava presente nas campanhas – com candidaturas coletivas, papamóvel à prefeitura e debates digitais – deverá ganhar ainda mais espaço dentro das casas legislativas. Acompanhando movimentos de outros setores, a nova tendência de inovação legislativa passará pela inserção de métodos ágeis e na política.

Os métodos ágeis são um conjunto de práticas, muito usadas no setor de tecnologia, que focam na adaptação e rapidez na entrega de resultados de alto valor. Mesmo contra intuitivo – devido aos tempos necessários para construções coletivas e democráticas – acredito que o Poder Legislativo seja um ambiente profundamente fértil para esse novo modelo de funcionamento. Vejamos alguns princípios do manifesto ágil.

  1. Adaptação ao contexto: acolher as incertezas e o dinamismo da agenda pública é primordial dentro da política. Saber aproveitar as janelas de oportunidade é um diferencial dos parlamentares que se destacam (o que vimos bastante durante a COVID-19)
  2. Colaboração: no Legislativo nada se entrega sozinho. Qualquer proposta deverá passar por análise e articulação com outros parlamentares e atores da sociedade civil
  3. Priorização do  ̶c̶l̶i̶e̶n̶t̶e̶ cidadão: o Legislativo é –  ou deveria ser-  o espaço mais próximo do governo com os cidadãos, em especial em nível local
  4. Transparência: saber e dar visibilidade do que é feito para a população é tarefa do bom parlamentar e fomenta cada vez mais a participação social e accountability
  5. Ritmo constante de entrega: que a carga de trabalho é alta no Legislativo nós sabemos, mas conseguir entregar valor constantemente para o cidadão pode ser novidade. O desafio e a demanda social crescente farão com que os mandatos tenham sempre que estar minando a burocracia, respeitando regras democráticas, para transformar promessas, incrementalmente em realidade. Além disso, terão, cada vez mais, estar focados em ser proativos e não apenas reativos às demandas do Poder Executivo.

Já está na hora de reinventarmos o funcionamento interno do Poder Legislativo, para construirmos o futuro que queremos. Esta onda, de uma política cada vez mais ágil e voltada ao cidadão será uma tendência que veio para ficar. Afinal, não basta elegermos quem queremos se as promessas de campanha não se tornarão realidade.

As promessas já foram feitas, agora precisamos chegar lá.

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