Nosso bem mais valioso

Humberto Dantas

18 de agosto de 2021 | 18h41

*Texto escrito por Luciana Elmais, Sócia de Soluções e Inovação Política da Legisla Brasil. A Legisla Brasil é uma sociedade sem fins lucrativos que acredita no poder das equipes parlamentares em transformar a política.

Estamos em semanas agitadas em Brasília. Entre os grandes projetos em discussão temos a Reforma Administrativa, também conhecida como PEC 32/2020 a todo vapor em tramitação na Câmara dos Deputados. Este momento abre uma oportunidade única para discutirmos o que temos de mais valioso no Estado brasileiro: as pessoas. O Estado é um setor de serviços e assim como em outros lugares o resultado só poderá ser positivo se tivermos bons prestadores destes serviços.

Falar sobre profissionais e o Estado não é uma tarefa fácil. Nossa sociedade, ao não se satisfazer com os serviços públicos prestados, se apega a estereótipos que sistematicamente degradam estes profissionais. Servidores muitas vezes são conhecidos como pessoas encostadas, pouco ambiciosas, e que regem sua atuação pela lei do mínimo esforço. Felizmente estereótipos são generalizações e preconceitos e temos múltiplos casos no Brasil em que o estereótipo do funcionário público, da assessoria, é quebrado.

Estes profissionais são responsáveis por garantir que 220 milhões de pessoas tenham seus direitos assegurados e assistidos. Há de convir que não é uma tarefa fácil. Também fica evidente a necessidade de que cada uma destas pessoas seja capaz de executar este trabalho com excelência, seja no Poder Executivo, Legislativo ou Judiciário.

No entanto, vejo hoje o debate sobre gestão de pessoas no setor público atrofiado. Nas poucas vezes que o assunto está em alta, vemos a discussão centrada no Poder Executivo e em como desligar servidores concursados com baixo desempenho. Continuamos achando que trabalhar os recursos humanos de maneira estratégica não é relevante. Me parece esquizofrênico pensar que  aumentar a produtividade das pessoas que trabalham no serviço público não seja prioridade dado que todas as outras áreas avançam de maneira proporcional ao desempenho destes profissionais.

Gestão por desempenho, avaliações de resultados, sistemas de incentivos (financeiros ou não) são alguns dos termos amplamente utilizados no setor privado. Porque ainda temos tanta dificuldade em valorizar a sua aplicação no serviço público?

Essa discussão também deve ir além dos funcionários efetivos. Estima-se que no Poder Legislativo existam aproximadamente 70 mil assessores parlamentares comissionados nos três entes federativos (municípios, estado e união). São eles que constroem as legislações do nosso país e fiscalizam todas as ações do governo. Estes profissionais, que trabalham dentro de mandatos parlamentares, em sua maioria não são expostos a mecanismos de aumento de desempenho.

Como podemos cobrar serviços melhores se não tivermos servidores melhores? Como iremos atrair os melhores profissionais para prestar esses serviços se não os valorizamos.

Como país, não estamos colocando toda nossa energia para construir instituições e processos que garantam que iremos tirar o melhor de cada um dos profissionais que trabalham diariamente para fazer nosso país funcionar.

Aproveitemos a atual janela de oportunidade política para trazer para dentro de nossas instituições públicas práticas que permitam que funcionários públicos, sejam eles de qualquer poder, entreguem resultados extraordinários.

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