Eleições para o Legislativo – Região de São José do Rio Preto

Araré Carvalho

07 de agosto de 2018 | 11h47

Escrito em parceria com o colunista local Toufic Anbar Neto. Médico e Diretor da Faculdade de Medicina da FACERES.

Esta será a eleição mais imprevisível da história democrática do país. Sem o financiamento de empresas aos partidos e candidatos, com o fundo eleitoral na mão de poucos caciques e campanhas mais curtas, a previsão é de que os políticos e figuras mais conhecidas levarão vantagem na disputa.

É importante destacar o contexto em que essa eleição se dará. De imediato, dois fatos reforçam a expectativa de que teremos um considerável aumento no número de abstenções, votos nulos e votos brancos. O primeiro, diz respeito a curva ascendente desses indicadores pelo Brasil, evidente nas eleições que se sucedem a cada dois anos. Nas eleições deste ano, acreditamos que o índice ultrapassará o estágio dos 38% anotados na eleição de 2014. Em São José do Rio Preto, esses números são ligeiramente superiores. A abstenção fica no patamar de 22%, em contraste com a média estadual de 18%. Nas recentes eleições para governador, ocorridas em Tocantins, tivemos uma amostra dessa tendência: no primeiro turno, a quantidade de abstenções, votos nulos e brancos alcançou o valor de 43%, e 52% no segundo turno.

A partir dos índices das últimas eleições, uma inferência possível de se fazer é que em torno de 192 mil votos, de um total de 320 mil, serão válidos. Os votos dados a candidatos locais atingem aproximadamente 65% desse todo; correspondendo a 120 mil das indicações dos eleitores. Neste ano, por exemplo, não teremos dois nomes fortes concorrendo ao cargo de deputado federal: o atual prefeito Edinho Araújo (MDB), que somou quase 60 mil votos, e Rodrigo Garcia (DEM), que na última eleição ultrapassou os 27 mil votos. O cenário eleitoral também não terá os candidatos Manoel Antunes, que faleceu no ano de 2017, e atingia em torno de 15 mil votos; além de vereadores e ex-vereadores que, em 2014, atingiram a cerca de 14 mil votos. Outros candidatos locais somaram quase 10 mil das preferências.

Nesta eleição, cogita-se que os pretendentes aos cargos públicos que terão mais destaque para deputado federal devem ser o ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), o atual vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD), o vereador Pedro Roberto (PRP) e o presidente do Sincomércio, Luiz Carlos Motta (PR). Dos candidatos de fora que devem conseguir mais votos estão Celso Russomano (PRB), Tiririca (PR), Marcos Pereira (PRB) e Marcos Feliciano (PSC). É provável que estes sejam os mais votados no estado, desequilibrando a eleição em prol dos seus partidos. Um grande puxador de votos que estará ausente é Paulo Maluf (PP), prejudicando de sobremaneira a sua legenda. Outro partido que sente a falta de um grande puxador de votos é o Partido dos Trabalhadores (PT).

Para deputado estadual, o cenário é mais árido. Ao contrário da eleição para deputado federal, todos os principais atores das últimas eleições tentarão se reeleger, e novos candidatos com bom potencial de votos entrarão na disputa. Destacam-se nessa “briga” os nomes de Orlando Bolçone (PSB), Vaz de Lima (PSDB), o vereador Renato Pupo (PSD), Edinho Filho (MDB), João Paulo Rillo (PSOL) e Eni Fernandes (PT). De fora da cidade, aqueles que têm sido mais sondados nas votações anteriores são: Sebastião Santos (PRB), Itamar Borges (MDB) e Celso Nascimento (PSC).

Os números apresentados mostram uma forte inclinação do eleitor de São José do Rio Preto a votar em candidatos da cidade e/ou da região. No noroeste do Estado de São Paulo, ainda prospera muito o personalismo, e a “cordialidade”, no sentido “buarquiano”, na relação entre eleitores e candidatos. A figura do candidato que traz verba para as santas casas, creches e lares de crianças, participa de quermesses e eventos beneficentes é muito valorizado por esses lados.

Fora do período eleitoral, os candidatos aparecem sempre em “outdoors”, mandando mensagens de natal, ano novo e/ou de felicitações ao aniversário da cidade. Com a ajuda de assessores, lembram dos nomes de eleitores e de seus parentes, estabelecendo uma ligação ainda mais orgânica/afetiva com o eleitorado. Os candidatos não se destacam, salvas exceções, por apresentarem propostas ou inovações para a região; a maioria prefere praticar essa relação de proximidade, cordialidade e reforço de relações clientelistas e personalistas.

Em tempos de menor verba e redução no período de campanha, esses candidatos devem apostar ainda mais no reforço de vínculos com os locais onde possuem bases eleitorais, na expectativa de aumentar o espectro de apoio, do que gastar tempo e verba tentando arregimentar votos em regiões onde ainda não são conhecidos. Esse cenário tem aspectos positivos, pois aproxima representante de representado. Por outro lado, pode assentar ainda mais as relações de co-padrinho, promessas de favores individuais ou a grupelhos e intensificar as indicações políticas para cargos nos setores da assistência social e saúde.

Os candidatos de São José do Rio Preto e região ajudariam muito se durante suas visitas de campanha, para além de apertos de mãos e abraços, apresentassem propostas, elucidando os eleitores acerca da importância e dos limites da atuação do parlamentar. E, acima de tudo, colocassem sobre a responsabilidade do cidadão o acompanhamento de seu mandato, criando espaço, pós-eleições, de fala e escuta de sua base. Alguns vícios devem ser rompidos, em nome do avanço dos candidatos, eleitores e por extensão da democracia.

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