Educação Política: o Executivo não gosta, mas o Legislativo gosta

Humberto Dantas

09 de setembro de 2019 | 13h14

Texto escrito por Haline Floriano, graduada em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo (USP) e Assessora de Comunicação do Movimento Voto Consciente São Paulo.

“Queremos uma garotada que comece a não se interessar por política”. Essa frase, embora pareça, não foi dita nos meados da ditadura militar. Ela foi pronunciada em pleno 2019, pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a posse do seu segundo ministro da Educação.

Se por um lado o nosso chefe do Executivo insiste em atacar a educação política que incentiva a cidadania, o Poder Legislativo Federal ainda possui iniciativas que apoiam a participação e envolvimento dos jovens com a política. Afinal, tudo é política, e política é conscientização. Dada a tamanha importância de engajar os jovens com temas políticos e sociais, a Câmara dos Deputados implementa uma série de programas, os quais podem ser conferidos aqui.  

E hoje quero falar especificamente a respeito de uma iniciativa: o Estágio-Visita, do qual fiz parte na última semana. Trata-se de uma imersão profunda no Congresso Nacional, que em cada uma de suas edições reúne 70 estudantes do Brasil todo, de todas as origens, culturas, sotaques e vertentes políticas. Semestralmente, cada deputado federal pode indicar até dois estudantes do seu estado. Ao longo da semana em Brasília, conhecemos a Câmara dos Deputados e o Senado; temos aulas e oficinas sobre o processo legislativo, além de ter contato direto com os nossos representantes, conversando, perguntando, indo ao plenário, assistindo comissões e simulando a atuação de um parlamentar. Junto com os colegas de norte a sul do país, trocamos relatos acerca das práticas legislativas que vemos nos nossos municípios e estados.

Os dias são intensos. O programa em si nos transforma e nos aproxima muito do Poder Legislativo, confirmando que é sim necessário que estejamos o quanto antes por dentro do que acontece ali. Foi a primeira vez que me encontrei com Brasília e entre as suas lições a principal foi: o diálogo é a nossa ferramenta primordial. Independentemente das opiniões, dentro e fora do Congresso é preciso dialogar, argumentar e representar. 

A nossa edição de agosto contou com um número maior de mulheres. Não por acaso, os temas mais falados envolviam a nós: violência contra mulher, feminicídio e mulheres na política. Conversando com deputadas federais, ficou ainda mais premente repensarmos nos estímulos para que haja cada vez mais mulheres nos representando.   

O Estágio-Visita é uma oportunidade única, com uma organização comprometida a fazer dessa a nossa melhor experiência da vida. E conseguiram. Todos nós saímos de lá com o desejo de querer ficar, ou pelo menos de multiplicar que há boas práticas legislativas e de que devemos estar envolvidos a todo instante.  

Como jovem e uma constante estudante que acredita na Educação como forma de transformação, ter tido esse espaço me mostrou que embora o presidente da República não goste dessa aproximação, o Legislativo tem dado a sua abertura, e nós devemos expandi-la. Retorno ao meu estado com inúmeros aprendizados e uma grande convicção: a educação política forma para a cidadania, pois saímos do Legislativo Federal mais conscientes da nossa jornada enquanto cidadãos e sociedade, dispostos a averiguar cada passo dos parlamentares. Uma dica é o Infoleg, nesse aplicativo é possível ficar por dentro de toda a agenda legislativa e muito mais.

Para o Executivo, a Educação Política deixou um recado: “Você não gosta de mim, mas a sua filha gosta”. 

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