A crise política e o destino do PT

Patrick Silva

25 Outubro 2016 | 10h07

Este texto foi escrito por Joyce Luz*

No último dia 02, os resultados das eleições municipais apresentaram uma das primeiras respostas à crise política provindas da voz popular. Aquela história de que “ninguém vota em partido, vota em candidato, no homem ”, sobre a qual falou o Deputado Federal Givaldo Carimbão, PHS-AL, parece não ter sido ou se tornado verdadeira para o Partido dos Trabalhadores (PT) nessas eleições.

Olhando só para as eleições municipais, o PT seguiu até 2012 uma trajetória de ascensão no que diz respeito à conquista de novas prefeituras e vagas nas câmaras municipais. Em 2004, o PT conquistou 411 prefeituras, em 2008, esse número passou para 550 e, em 2012, atingiu a marca de 630 prefeituras, tornando-se a terceira legenda com o maior número de municípios conquistados.

A história, se contada da maneira correta, parece ter sido a mesma quanto à conquista de cargos nas câmaras legislativas municipais. Em 2004, o partido elegeu 3680 vereadores, em 2008, esse número passou para 4168 e, em 2012, atingiu sua maior expressão com 5181 vereadores eleitos. A trajetória crescente parece ter alguma correlação com o sucesso ou a aprovação do PT também no comando do governo federal. Desde que Lula assumiu a Presidência da República em 2002, as conquistas do partido em prefeituras e câmaras legislativas só aumentou.

Contudo, se tal correlação se faz para o bem em um sentido, ela também se faz verdadeira no sentido oposto. No último domingo, dia 02 de outubro, a expressão popular parece ter penalizado o partido: das 630 prefeituras conquistadas em 2012, o PT passou a comandar apenas 256 e dos 5181 vereadores eleitos, o partido somente conseguiu eleger 2808. A crise política instaurada ainda em 2015, com desfecho histórico agora em 2016, parece ter afetado o Partido dos Trabalhadores. A afirmação do Deputado Federal do Alagoas, Givaldo Carimbão, parece não ter sido confirmada. Não para o Partido dos Trabalhadores, que nessas últimas eleições sofreu uma rejeição expressiva e importante dos eleitores. Não é meu objetivo aqui fazer afirmações gerais de como o eleitor se comporta, mas, nesse caso em específico, os eleitores de todo o Brasil parecem ter associado a figura de seus candidatos a um partido e a seus erros.

As previsões, ainda que recentes e fundamentadas no cenário político atual, apontam para a queda do Partido dos Trabalhadores também no nível nacional. Agora, em 2016, o partido atingiu o mesmo número de parlamentares em sua bancada de quando não estava no poder em 1998. Na eleição de 2014, o partido contou com 69 deputados federais eleitos e hoje conta com apenas 59. Apesar de ainda possuir a maior bancada, se comparado às eleições anteriores como de 2006 e de 2010, quando elegeu 90 e 87 deputados, respectivamente, o partido perdeu um número expressivo de parlamentares.

É baseado justamente no cenário da crise política e sobretudo nos resultados mais recentes das eleições municipais que provoco aqui o questionamento: o que esperar estrategicamente do tradicional Partido dos Trabalhadores? Não sou pessimista a ponto de pensar que esse é o fim do partido, mas é preciso começar a pensar alternativas e mudanças às quais a legenda terá de recorrer para reverter esse cenário de queda. Somente esperar que o atual governo não dê certo – para o azar de muitas brasileiras e brasileiros –  e que milhares de eleitores se arrependam de suas decisões parece ser contar demais com a sorte.

Se eu fosse arriscar um palpite, como aspirante a futura cientista política, diria que o partido precisa repensar suas estratégias de atuação. Precisa de alguma forma se reinventar para se livrar do rótulo de partido corrupto. Precisa se desvincular da crise política que marcará sua história. Mas, para além disso, para aqueles que sobraram e que estão na atividade, com mandatos em exercícios ou garantidos, é preciso agir agora. É preciso levar o partido a atuar de volta como oposição forte e ativa que sempre foi, antes mesmo da eleição do presidente Lula em 2002. É preciso olhar para trás, ver o que deu certo e seguir adiante com a certeza de que mudar também faz parte da vida política.

*Joyce Luz é mestranda em Ciência Política pela USP, pesquisadora do Núcleo de Instituições Políticas e Eleições (NIPE- Cebrap) e pesquisadora do Núcleo de Estudos Comparados e Internacionais (NECI-USP).