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Tucanos e petistas articulam saída para crise

Julia Duailibi

12 Junho 2013 | 21h04

A Prefeitura de São Paulo, administrada pelo PT, e o governo do Estado, do PSDB, estreitaram as pontes hoje para tentar buscar uma solução para a crise criada com as manifestações sobre o aumento da tarifa de ônibus. Por orientação do prefeito Fernando Haddad (PT) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o secretário municipal de Governo, Antonio Donato, e o estadual da Casa Civil, Edson Aparecido, conversaram por telefone para buscar uma saída conjunta que passe por um armísticio com o Movimento Passe Livre, que convocou as manifestações de ontem.

Os secretários falaram pela manhã sobre a possibilidade de o Ministério Público Estadual intermediar uma negociação com o movimento – hoje à tarde a Promotoria de Habitação e Urbanismo fez uma reunião com integrantes do Passe Livre e propôs um cessar-fogo em troca da suspensão temporária do aumento da tarifa. Para os secretários, o MP deve atuar como interlocutor dos governos e firmar acordo para que eventuais novas paralisações não atrapalhem o trânsito nem deem espaço para cenas de violência entre a Polícia Militar e os jovens. Não está em pauta, entretanto, reverter o aumento da passagem, que passará de R$ 3 a R$ 3,20.

Alckmin e Haddad estão em Paris, onde participam de eventos sobre a candidatura da cidade de São Paulo para sediar a Expo 2020. Desde que o petista assumiu o cargo, no começo do ano,  mantém contato próximo com Alckmin. Segundo interlocutores de ambos os lados, os elogios são mútuos, a ponto de tucanos dizerem que a relação hoje com a Prefeitura é melhor que no governo de Gilberto Kassab (PSD), que era aliado do PSDB.

A aproximação tem uma razão política. Para os tucanos, é bom manter a porta aberta com o PT no Estado, apostando principalmente no eleitor que, em 2014, pode votar em Dilma Rousseff e em Alckmin, ambos candidatos à reeleição –  seria uma aposta na chapa informal “Dilmin”, Dilma e Alckmin, a exemplo do “Lulécio”, Lula e Aécio Neves, que ocorreu na eleição de 2006 em Minas. Do lado petista, as parcerias com o governo do Estado ajudariam Haddad a fazer uma boa administração e se reeleger em 2016.