‘Se fosse para não ter risco, entrava num partido existente’
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‘Se fosse para não ter risco, entrava num partido existente’

Julia Duailibi

23 de fevereiro de 2013 | 13h43

A socióloga Neca Setubal, integrante da Rede, partido criado pela ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, admite que o projeto tem uma “dose de utopia”. “Se não tiver, você não muda, faz sempre a mesma coisa.”

Neste domingo, o Estado fez uma reportagem mostrando o perfil dos colaboradores partido de Marina. O texto mostrava que há desde estudantes a grandes empresários, como Roberto Klabin e Guilherme Leal, que contribuem com a formação da Rede, mas, segundo os fundadores do novo partido, não são financiadores do projeto.

Entre os fundadores, também está Neca Setubal, para quem o partido é uma “aposta”. “Estamos apostando. Pode ser inviável fazer de outra forma. Mas, para mim, uma das grandes contribuições será mostrar que é possível fazer de uma outra forma. Será uma grande referência, independentemente de ganhar ou perder a eleição”, disse.

Leia abaixo trechos da entrevista.

Por que a sra. resolveu entrar no projeto de fundar um novo partido?

Na campanha de 2010, eu me envolvi bastante também. Estava super envolvida, publicamente envolvida. Realmente, a primeira vez foi em 2010, mas o meu envolvimento é porque eu acredito nesta proposta, acho que é uma proposta que faz sentido para os princípios em que eu acredito, como a questão da sustentabilidade, da ética, da Justiça social. São três pilares em que eu acredito. Então, para mim, é trabalhar em função de uma utopia de um País, de uma sociedade, é caminhar nesta direção. E, com a Marina, há uma identidade muito forte entre nós duas.

A Rede não adota uma postura ingênua em relação à política brasileira? O grupo já é chamado de “sonhático”…

Eu acho que tem uma dose de utopia mesmo, porque, se não tiver, você não muda, faz sempre a mesma coisa. Mas eu acho que, embora tenha uma dose de utopia, é uma utopia que tem muita gente, muitas pessoas que estão falando: ‘É isso mesmo, vai por aí’. Eu acho que existe uma grande sustentação na sociedade, diferente da política (tradicional). Também é o seguinte: estamos arriscando. Estamos arriscando pensamento, uma série de coisas. Estamos apostando. Pode ser inviável fazer de outra forma. Mas, para mim, uma das grandes contribuições, será mostrar que é possível fazer de uma outra forma. Será uma grande referência, independentemente de ganhar ou perder a eleição.É possível fazer uma diferença e que é possível batalhar por isso.

Há espaço no País para esse tipo de alternativa?

Vamos ver. Claro que é um risco. É um risco. Não tem modelo. Mas, se fosse para ter um modelo e não ter um risco, não precisava nem de um partido, entrava num outro partido já existente. Eu acho que a contribuição é isso, sair todo mundo da zona de desconforto, porque eu acho que já está até acontecendo nos outros partidos. E trazer para o debate uma outra perspectiva.

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