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Russomanno, Ratinho Júnior e a TV

Julia Duailibi

24 de setembro de 2012 | 18h39

Numa eleição, as alianças formadas por um candidato são tão ou mais importantes que o seu programa de governo. São elas que dão o combustível para a disputa, os minutos no horário eleitoral no rádio e na televisão. Quanto mais tempo na TV, maiores são as condições que o candidato tem de embalar suas propostas de uma maneira atrativa para o eleitor. Os minutos a mais podem ser decisivos e criar milagres, principalmente quando o candidato é fraco, e o marqueteiro é competente.

Em nome desse tempo na propaganda eleitoral – que não tem nada de gratuita, neste ano custará cerca de R$ 600 milhões para o erário – é que assistimos ao desfile de coerência que toda eleição nos proporciona. É o que levou Fernando Haddad (PT) a aceitar o apoio do PP, de Paulo Maluf. E José Serra (PSDB) a se aliar ao PR, de Valdemar Costa Neto, réu no mensalão.

Mas dois candidatos desta eleição, Celso Russomanno (PRB), em São Paulo, e Ratinho Júnior (PSC), em Curitiba,  estão desbancando, por enquanto, a tese de que sem tempo de TV no horário eleitoral um candidato é pouco competitivo. Não, eles não dispensaram apoios políticos para se aventurarem com minutos a menos de exposição que os seus adversários. Eles foram preteridos pela maior parte das legendas, que não botaram fé no fôlego de suas candidaturas.

Russomanno tem apenas 2min10s em cada um dos dois blocos do horário eleitoral na TV, resultado de uma coligação formada por poucos e nanicos partidos: PTB , PTN, PT do B, PHS e PRP. O tempo de Russomanno é 7% de toda a propaganda eleitoral em São Paulo. Serra e Haddad têm, cada um, mais de sete minutos. Mas, mesmo assim, Russomanno tem conseguido manter a liderança nas pesquisas de intenção de voto com 35%, segundo o último Datafolha.

Ratinho Júnior, filho do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, do SBT, firmou coligação com PR, PT do B e PC do B, o que lhe garantiu apenas 3min55s na TV. É menos da metade do tempo de Luciano Ducci (PSB), candidato à reeleição, que formou aliança com 15 partidos. O outro adversário, Gustavo Fruet (PDT), apoiado pelo PT e PV, também tem mais tempo na propaganda: quase seis minutos. Apesar disso, Ratinho Júnior tem 32% das intenções de voto contra 26% de Ducci e 16% de Fruet.

Em comum, Russomanno e Ratinho, que se dizem “comunicadores”, são beneficiários de uma super exposição midiática. Três meses depois de ter migrado para o PRB, em 2011, Russomanno (ex-PP) ganhou um quadro na TV Record, o Patrulha do Consumidor, o que lhe garantiu visibilidade até às vésperas da eleição deste ano. Com Ratinho Júnior não foi diferente. Ele também tinha programas na rádio e na TV da família, o Microfone Aberto e o Direto de Brasília, respectivamente – aliás, a família é dona da retransmissora do SBT no Paraná.

Na eleição passada, nenhum candidato com nível de exposição como o de Russomanno chegou ao segundo turno ou venceu em 26 capitais do País. Pode ser que tanto ele quanto Ratinho Júnior quebrem agora a regra. Se isso de fato ocorrer, restará saber se foi pela competência de suas propostas e pelo perfil de suas biografias ou pela ajudinha do rádio e da TV que tiveram ainda antes da corrida eleitoral.

 

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