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Rosemary e o BB

Julia Duailibi

29 de novembro de 2012 | 06h14

A ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha mantinha influência no Banco do Brasil e era acionada por outros investigados na Operação Porto Seguro para agendar reuniões na instituição financeira, cuja sede na capital ficava no mesmo prédio onde ela trabalhava, na Avenida Paulista.

Para a Polícia Federal, o ex-diretor da ANA (Agência Nacional de Águas) Paulo Rodrigues Vieira pedia a Rose o agendamento de reuniões. Consta do relatório um pedido de encontro entre Ricardo Flores, que foi vice-presidente de crédito do BB, com Alípio Gusmão, conselheiro da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), e César Floriano, da empresa Tecondi, também preso na operação e indiciado por corrupção ativa.

Em outra troca de emails, em junho de 2011, Enio Dias, ex-chefe de gabinete da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), onde Vieira trabalhou, questiona o então diretor da ANA sobre a possibilidade de ajudar um ex-prefeito de Xambioá, em Tocantins, num financiamento residencial de R$ 150 mil no Banco do Brasil.

Nas gravações da polícia, Rose demonstra interesse no banco. Conforme revelado pelo Jornal Nacional, em email captado pela PF, Rose questiona Vieira sobre César Borges (PR-BA), indicado para a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil no lugar de Ricardo Oliveira, que havia sido seu aliado. “Você conhece o sr. César Borges do PR? Ele será o próximo vice-PR do BB. Se for seu amigo, precisamos conversar…”, afirma a ex-assessora de Lula e de José Dirceu no email de maio. Vieira responde: “Sim, conheço o César. É um cara legal. Se precisar de algo, a gente fala com ele”.

O principal contato de Rose no Banco do Brasil era Oliveira, ex-vice-presidente de Governo da instituição, que se aproximou dela assim que a ex-assessora passou a trabalhar na representação da Presidência, indicada para o cargo por Lula. Ambos despachavam na Avenida Paulista, onde está a sede do Banco do Brasil em São Paulo. Oliveira trabalhou pela indicação de Aldemir Bendine como presidente da instituição. Os dois tinham como padrinho Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, outro contato de Rose no Palácio do Planalto.

Oliveira, chamado de Ricardo Gordo, no entanto, acabou rompendo com Rose, na esteira da guerra de dossiês no Banco do Brasil, que tinha como pano de fundo a disputa entre Flores e Bendine. Os dois passaram a disputar influência na instituição. Em maio, Oliveira acabou deixando o cargo.

O ex-marido de Rose, José Cláudio de Noronha, também integrava os quadros do Banco do Brasil. Foi indicado para uma vaga no conselheiro de administração da Brasilprev, empresa de previdência que tem a instituição financeira como sócia. Ele será será exonerado do cargo.

 

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