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‘Regra’ da continuidade se espalhou pelo País

Com a ajuda do marketing, das máquinas partidárias e, é claro, da estrutura do Estado, os candidatos à reeleição foram mais uma vez favorecidos na disputa

Julia Duailibi

19 de dezembro de 2014 | 20h13

Texto publicado na retrospectiva do Estadão Noite

A eleição de 2014 prometia grandes mudanças nos cenários estaduais e nacional, embalada pelas manifestações de junho de 2013, que tinham como alvos genéricos a política e quem estava no poder. Mas o que prevaleceu nas urnas não foi a tese da alternância, mas sim a regra da continuidade: Dilma Rousseff (PT) foi reeleita presidente, assim como onze dos 18 governadores que tentavam se manter no cargo, número que corresponde à taxa histórica de reeleição desde que o mecanismo passou a valer em 1998.

Na esteira das manifestações, a aprovação dos governantes despencou, lançando dúvidas sobre a capacidade de eles se manterem no poder na eleição do ano seguinte. Os ecos de 2013 davam a impressão de que o eleitor aproveitaria a eleição de 2014 para dar uma lição aos governadores de plantão e tirá-los do poder.

Marqueteiros montaram suas estratégias tentando vender os candidatos como os melhores para promover as mudanças que o eleitor parecia querer. Trocaram as cores tradicionais usadas pelos partidos, as roupas e o layout dos candidatos à reeleição, na expectativa de que o eleitor se esquecesse de que aquele ali era o mesmo contra quem protestara meses antes.

Com a ajuda do marketing, das máquinas partidárias e, é claro, da estrutura do Estado, os candidatos à reeleição foram mais uma vez favorecidos na disputa contra os novos. Negociando espaços na administração, conseguiram montar alianças amplas com outros partidos, o que lhes rendeu mais tempo de televisão no horário eleitoral. Não é regra, mas quanto maior o tempo de TV, maiores são as chances da estratégia de marketing do candidato emplacar.

Dos 18 governadores que tentavam se manter no cargo, quatro conseguiram se reeleger já no primeiro turno: Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, Beto Richa (PSDB), no Paraná, Raimundo Colombo (PSD), em Santa Catarina, e Jackson Barreto (PMDB), em Sergipe. Outros sete venceram no segundo turno: Tião Viana (PT), no Acre, José Melo (PROS), no Amazonas, Luiz Fernando Pezão (PMDB), no Rio de Janeiro, Marconi Perillo (PSDB), em Goiás, Simão Jatene (PSDB), no Pará, Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba, e Confúcio Moura (PMDB), em Rondônia.

Dos sete governadores que não conseguiram se reeleger, Tarso Genro (PT), no Rio Grande do Sul, foi o único em que a derrota significava uma regra em seu Estado: o Rio Grande do Sul tradicionalmente não reelege governadores.  

O mapa da eleição pelo País também mostrou que o governo federal continuará a contar com o apoio da maioria dos governadores. Serão 19 Estados com partidos a favor da presidente Dilma, contra oito de legendas de oposição. O PMDB é o partido com mais governadores eleitos: administrará a partir de 2014 sete Estados, contra os cinco em que havia vencido em 2010. Depois, estão PT e PSDB, com cinco governadores eleitos cada um.

Os petistas levaram Estados importantes, como Bahia e Ceará, apesar da derrota no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. Mantiveram em 2014 o mesmo número de governadores que haviam feito em 2010. Já o PSDB fez três governadores a menos que em 2010, mas continuará a governar a maior população do País, com 72 milhões de habitantes.

Entre todos os casos de reeleição pelos Estados, a vitória de Alckmin em São Paulo foi o principal exemplo de como a tese da continuidade prevaleceu em 2014. Os próprios tucanos consideravam a eleição deste ano a mais difícil desde 1994, quando Mario Covas venceu em São Paulo. O partido vinha de um processo de 20 anos de poder, e a administração não tinha uma grande vitrine. Ainda assim Alckmin venceu, levando a reeleição ainda no primeiro turno.

Apesar de todos os prognósticos, a disputa de 2014 provou que a reeleição ainda é regra. Enquanto ela estiver valendo, quem está no poder, sem dúvida, larga na frente.

 

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