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Racionamento de água e a política de redução de danos eleitorais

Julia Duailibi

10 de abril de 2014 | 22h18

O Palácio dos Bandeirantes já definiu a estratégia que irá adotar caso haja rodízio de água, leia-se racionamento, antes da eleição de outubro: colocará a Sabesp na linha de frente do processo, atraindo todos os holofotes para a empresa, deixando na penumbra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. Na prática, Dilma Pena, presidente da Sabesp, dará a cara a tapa e assumirá todo o processo, principalmente de comunicação, sobre o eventual rodízio: fará os pronunciamentos públicos, tocará as campanhas, dará as entrevistas e declarações sobre o assunto. A política de redução de danos pretende deixar o governador como coadjuvante. É uma tentativa de evitar que, em plena campanha eleitoral, ele fique preso a uma pauta extremamente negativa para quem quer mais quatro anos de mandato. Tarefa difícil, todos sabem, e tão eficiente quanto culpar São Pedro pela crise. É inócuo. Hoje, Dilma Pena já tomou dianteira ao falar sobre o assunto  em lançamento das obras do sistema São Lourenço, que vai captar água do Vale do Ribeira para abastecer a Grande São Paulo.

De acordo com os dados levados ao governador, a Sabesp ainda diz que é possível evitar o racionamento até novembro, ou seja, um mês depois da eleição. Data conveniente para os tucanos. Mas Alckmin não quer bancar a previsão. Tem dito que a avaliação sobre a necessidade de rodízio deve ser feita todo dia. Na prática, algumas áreas da cidade já passam por um racionamento extraoficial. “A Sabesp está controlando a vazão em algumas regiões”, admite um secretário de Alckmin.

Se o racionamento vier antes de outubro, a política de redução de danos do Palácio dos Bandeirantes terá de ser melhor que isso. Do contrário, será abalada uma das características de Alckmin apontadas pelo eleitor nas pesquisas qualitativas, a de bom gerente – em 2006, ele disputou a eleição presidencial com o slogan “o Brasil precisa de um gerente, Geraldo presidente”.

Os tucanos acham ainda que existe jogo para um acordo tácito com o PT sobre esse assunto, já que não está descartado um racionamento de energia elétrica, seara que atinge também a presidente Dilma Rousseff. Em conversa há cerca de um mês com Alckmin, a presidente teria dito ao governador que orientou sua turma para não explorar o tema da falta de água. Se foi sincera na declaração, pouco provável que o PT siga sua orientação. O racionamento de água está para a imagem de Alckmin assim como apagão de 2001 esteve para a de Fernando Henrique Cardoso. É demolidor, e os adversários sabem disso.