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PSB, PC do B e a salvação da lavoura petista

Julia Duailibi

04 de junho de 2012 | 19h18

Com o PSDB avançando nas alianças e fechando com o PR na corrida municipal paulistana, resta ao PT agora conseguir oficializar o apoio do PC do B e do PSB para não se isolar na disputa e tentar diminuir a crise na campanha de Haddad, intensificada com a ausência de Marta Suplicy do encontro no último sábado, quando foi lançada a pré-candidatura do ex-ministro a prefeito.

Ainda pouco conhecido do eleitor, Haddad depende de tempo na TV no horário eleitoral para se tornar competitivo. Com PSB e PC do B, o petista teria cerca de seis minutos em cada um dos dois blocos da propaganda, segundo projeção do Estado. Dois minutos a menos que Serra.

As negociações com as duas legendas são tocadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PSB nacional, do governador Eduardo Campos, já se comprometeu com os petistas a fechar o acordo em São Paulo. Mas, para isso, quer que o PT resolva a questão em Recife. Campos é adversário do atual prefeito, João da Costa (PT), que quer tentar a reeleição. O governador prefere outro nome na disputa, como o do senador Humberto Costa (PT), e espera uma intervenção do PT nacional na capital pernambucana para anunciar o apoio a Haddad em São Paulo – o suplente de Humberto Costa no Senado é Joaquim Francisco, do PSB.

O PC do B reclama do que chama de pouca abertura dos petistas para negociar em outras capitais do País, como Porto Alegre e Fortaleza. Flerta agora com o PMDB, de Gabriel Chalita. Apesar disso, os petistas dão como certo o apoio a Haddad em razão dos laços tradicionais entre as duas legendas e da participação do partido na administração federal, com o Ministério do Esporte, de Aldo Rebelo.

O PR, que esteve também na órbita petista, tem uma situação diferente da do PC do B. Havia sido defenestrado do Ministério dos Transportes, depois da faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff, e não recuperou posições na administração. A legenda esperou um afago da presidente antes de anunciar o apoio a Serra. Não conseguiu e voou para o ninho tucano.

De olho no crescimento da coligação liderada por Serra, que já tem PSDB, DEM, PSD, PV, PR e, provavelmente, PP, o PT tentou criar uma agenda positiva no encontro de sábado, num momento em que as alianças a favor de Haddad ainda não foram fechadas. Mas a ausência da senadora Marta Suplicy (PT), que havia se comprometido a comparecer ao evento, serviu para dar combustível para a crise na campanha.

A orientação agora é tentar diminuir a importância de Marta e tirar o foco do isolamento de Haddad. “Acho que é um erro político ela se ausentar dos eventos do partido e da campanha. Acho que a campanha de Haddad tem todas as condições de crescer. Tem a presença do PT na cidade, Lula e tempo de TV”, afirmou o deputado Carlos Zarattini (PT). Para Cândido Vaccarezza (PT), “quem mais perdeu foi quem esteve ausente”.

Mas, como até sábado passado a presença da senadora na campanha petista era considerada a mais importante, depois da de Lula, fica difícil acreditar que a candidatura Haddad não enfrenta um momento ruim.  Notícia boa mesmo, o PT só terá se houver aliança com o PC do B e com o PSB.

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