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Presidenciáveis tucanos, uni-vos

Julia Duailibi

25 Abril 2013 | 16h45

A proposta do senador Aécio Neves (MG), presidenciável do PSDB, de acabar com a reeleição e ampliar o mandato para cinco anos é uma sinalização para o seu próprio partido. Embora muitos tucanos digam que não é hora de discutir essa questão, opinião do líder do partido no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), que em entrevista hoje à Rádio Estadão disse ser contra a proposta, presidenciáveis do PSDB são favoráveis à tese de fim da reeleição, entre os quais o ex-governador José Serra e o governador Geraldo Alckmin. Ambos defenderam a ideia quando eram candidatos a presidente, em 2010 e 2006, respectivamente.

Em 2006, Alckmin precisa atrair tanto Serra quanto Aécio para a sua campanha. Defendeu o fim da reeleição. Em 2010, os papéis se inverteram. Era Serra quem precisava de Alckmin e Aécio. Defendeu, também, o fim da reeleição. Nos dois casos, porém, a estratégia não deu certo. Até hoje a culpa pela derrota de Serra em 2010, por exemplo, é dividida com Aécio que, para tucanos paulistas, não teria se empenhado em obter votos para o correligionário em Minas.

Em 2010, Serra chegou a dizer que “essa questão de reeleição não deu certo” e, na sua conta no Twitter, afirmou:  “Há muito tempo sou contra a reeleição. Um só mandato, de 5 anos, é suficiente. JK não fez 50 anos em 5?”. Na eleição anterior, havia sido a vez do então presidenciável Alckmin abordar o tema. “Eu vou trabalhar rapidamente para a gente acabar com a reeleição. O meu compromisso é quatro anos e um bom governo”, disse então Alckmin, hoje pré-candidato à reeleição ao governo de São Paulo.

Aécio hoje, Serra e Alckmin ontem. Em todos os casos, as declarações pretendiam – e pretendem – reverberar internamente e atingir os “adversários internos” e potenciais presidenciáveis, que querem ver a fila andar logo. Candidato a presidente em 2014, Aécio precisa hoje do apoio de Serra e de Alckmin em São Paulo. Se não tiver um bom desempenho no maior colégio eleitoral do País, dificilmente se torna um candidato competitivo. Faz o discurso mirando os dois: Alckmin, potencial candidato a presidente na eleição de 2018; e Serra, que flerta com o Mobilização Democrática (MD), partido criado pelo amigo Roberto Freire.

 

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