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Para marqueteiro, eleição na Venezuela é ‘viciada’

Julia Duailibi

13 de março de 2013 | 06h30

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O antropólogo e publicitário Renato Pereira, sócio da Prole, empresa que fez a campanha de Henrique Capriles à Presidência da Venezuela em 2012, avalia que o chavismo sobreviverá a Hugo Chávez. “Talvez não como dispositivo de poder – o tempo dirá; mas certamente como mito popular”, afirmou o marqueteiro, responsável também pelas campanhas vitoriosas do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), em 2010, e do prefeito carioca, Eduardo Paes (PMDB), em 2012.

Para ele, Capriles não poderia se “furtar” de participar das eleições de abril na Venezuela – o candidato oposicionista disputará a presidência contra Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez. “Capriles foi capaz de unir a oposição e de mobilizar multidões com seu projeto em 2012. Agora cumpre o seu papel de líder, disputando eleições viciadas, mas às quais ele não podia se furtar a participar”, afirmou Pereira, que na eleição venezuelana teve o marqueteiro do PT, João Santana, como adversário na estratégia de comunicação – Santana fez a campanha de Chávez.

Leia abaixo a entrevista, feita por email.

Você participará da campanha de Capriles? Pretende ir a Venezuela?

Não participarei, nem eu nem meu sócio Chico Mendez.

Por que os marqueteiros brasileiros fazem sucesso na Venezuela?

Acho “sucesso” um termo exagerado. Temos espaço na Venezuela e em outros países, dada a capacidade dos profissionais brasileiros de dar à comunicação política toques de emoção e de inovação.

Qual sua relação com João Santana e o que acha do trabalho dele no País?

Não tenho relação com João Santana, e acho o seu trabalho na Venezuela, como de hábito, muito bom…

Capriles se inscreveu na eleição de abril dizendo que a disputa era entre ele e Maduro, e para o adversário deixa Chávez “em paz”. Como produzir um discurso oposicionista eficaz no calor da comoção da morte de um líder popular como Chávez?

Capriles foi capaz de unir a oposição e de mobilizar multidões com seu projeto em 2012. Agora cumpre o seu papel de líder, disputando eleições viciadas, mas às quais ele não podia se furtar a participar.Vai manter a coerência, mostrando o caminho que a Venezuela deve seguir rumo ao progresso e à democracia.

O chavismo continuará mesmo depois da morte de Chávez? Maduro conseguirá se firmar como herdeiro político de Chávez?

O populismo é um mal recorrente na América Latina, e creio que o chavismo sobreviverá a Chávez. Talvez não como dispositivo de poder – o tempo dirá; mas certamente como mito popular.

Como viu as declarações de Maduro insinuando que Capriles é homesexual?

As declarações de Maduro soam como um lastimável eco de seu mentor. Chávez sempre recorreu a ofensas para polarizar e atrair seus adversários  para a sua arena predileta: a retórica. Debater gestão nunca foi o forte da casa.

 

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