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Palácio diz que declarações de assessor são ‘particulares’

Julia Duailibi

03 Abril 2013 | 16h21

Com Bruno Lupion

O Palácio dos Bandeirantes afirmou, por meio da sua assessoria de imprensa, que não irá se pronunciar sobre o pedido de retratação feito pelo escritor e colunista do Estado Marcelo Rubens Paiva ao governador Geraldo Alckmin, a respeito das declarações de seu secretário particular, Ricardo Salles. De acordo com matéria publicada no Estado ontem, Salles já defendeu o Golpe de 64 e questionou a existência de crimes cometidos pela ditadura em evento no Clube Militar no ano passado. Ele faz parte do Movimento Endireita Brasil (MEB), que já chamou a presidente Dilma Rousseff de “terrorista”.

A assessoria de imprensa do palácio disse que as declarações foram “particulares” e que, portanto, não caberia comentá-las.  A indicação do advogado Ricardo Salles para secretário particular de Alckmin causou polêmica entre os integrantes do PSDB que lutaram contra a ditadura. Dirigentes do partido, inclusive de Brasília, questionam o fato de o governador ter colocado em um cargo estratégico alguém com posições polêmicas e, algumas delas, contrárias às do próprio governo. “A questão não é ser de direita, é o tom das propostas, que são ultrapassadas”, afirma um secretário do governo paulista. Quando foi nomeado, em março, Salles chegou a conversar com dois secretários de Alckmin sobre um blog que mantinha. Os integrantes do governo lhe alertaram que, a partir daquele momento, suas opiniões pessoais poderiam ser confundidas com as do governo, e ele deveria ficar atento. O blog foi retirado do ar.

Salles é considerado bom funcionário para a função que exerce, que é basicamente cuidar da agenda do governador. Os tucanos dizem que ele é mais organizado que o anterior, Marco Antonio Castello Branco de Oliveira. Chegou ao cargo levado por um assessor pessoal de Alckmin, próximo da família do governador.

Em 2011, Alckmin prestigiou o movimento fundado por Salles. “Estou muito feliz de estarmos juntos. Feliz a sociedade que tem movimentos que são políticos e suprapartidários. Movimentos políticos na defesa de valores, de ideais, de princípios”, afirmou o governador na ocasião”, disse. “Então quero primeiro saudar o MEB, o Movimento Endireita Brasil, acho que é uma força da sociedade civil muito importante. E tenho certeza que ele vai trazer novos valores e estimular uma participação importante. Depois, saudar o Ricardo Salles, que é uma jovem liderança: isso é também uma vocação”, completou o governador.