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Padilha: quando a defesa torna-se o ataque

Julia Duailibi

28 de abril de 2014 | 23h56

Quatro dias depois de seu nome aparecer nas investigações da operação Lava Jato, o pré-candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, foi para o ataque contra o PSDB, do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição. Em entrevista hoje ao programa Roda Viva, da Rede Cultura, Padilha usou a máxima “quem-não-bate-apanha” e entrou no ringue com um discurso ensaiado, treinado nos últimos dias com assessores. Ao polarizar com Alckmin, o ex-ministro da Saúde tenta se apresentar como o principal adversário do governador, posição que disputará com o presidente da Fiesp, o peemedebista Paulo Skaf.

“Os deputados do PSDB e de outros partidos, quando o elegeram vice-presidente da Câmara, certamente não tinham nenhuma informação que o desabonasse”, afirmou sobre o deputado André Vargas (PR), que em mensagem flagrada pela PF disse que Padilha indicou um assessor para laboratório ligado ao doleiro Alberto Youssef. Era só o começo da estratégia de trazer o PSDB para o confronto, até em temas que não guardavam tanta relação com o partido adversário.

O inicio da ofensiva começou na polêmica Vargas e continuou por outros assuntos. “Eles não estão preocupados com os mais pobres”, atirou, num dos discursos mais usados pelo PT nas eleições. “São Paulo não quis colaborar com a Polícia Federal”, declarou ao falar sobre segurança. Padilha sempre dava um jeitinho de encaixar São Paulo, de Alckmin, na crítica.

Embora ainda sem experiência eleitoral, o ex-ministro demonstrou profissionalismo no uso da retórica de campanha: falou o que quis e não comentou o que não quis. Quando não interessava polemizar, dizia que queria “olhar para a frente”. Saiu pela tangente ao ser questionado sobre Cuba, parceira no programa Mais Médicos, sua principal bandeira eleitoral. Indagado se achava que Cuba vivia sob um regime democrático ou uma ditadura, disse que não iria responder. Até sobre  o assunto do dia, a declaração de Lula criticando a decisão do STF no julgamento do mensalão, Padilha não quis falar. Usou a resposta básica para fugir da questão: disse que não tinha lido as manchetes da segunda-feira.

O pré-candidato também aproveitou para se tornar mais conhecido do eleitor, uma das principais tarefas que tem pela frente. A toda oportunidade que tinha, falava da carreira. Citava que era paulista, médico, que tinha trabalhado pela USP em Santarém, no Pará.

Padilha quase sorriu quando foi questionado se usava o sistema público de saúde. A bola foi levantada, e ele cortou. “Não tenho plano de saúde. Também não tenho nada com quem tem”, disse.