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Os bastidores da troca de comando na Segurança

Julia Duailibi

21 de novembro de 2012 | 15h16

A provável saída de delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro, antecipou a mudança na Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, prevista inicialmente para o começo do ano que vem, quando o governador Geraldo Alckmin pretendia dar inicio a reformas na sua equipe. O tucano já estava determinado a trocar o secretário Antonio Ferreira Pinto, principalmente após a repercussão da queda-de-braço com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a respeito da ajuda federal no combate à onda de violência em São Paulo – o Jornal Nacional, da Rede Globo, fez reportagens consideradas pelo governo estadual críticas em relação a Ferreira Pinto, o que contribuiu para piorar a situação do secretário no Palácio dos Bandeirantes, apesar de o próprio governador o ter insuflado a rebater Cardozo, que havia dito que São Paulo não aceitara ajuda do Palácio do Planalto.

O novo secretário, o ex-procurador geral de Justiça Fernando Grella, que toma posse amanhã, já compunha a lista dos cotados por Alckmin há mais de duas semanas. Pesou a favor dele o fato de ser do Ministério Público e próximo do atual procurador-geral, Márcio Elias Rosa, que foi seu sub-procurador. Grella também é tido como “discreto, reservado e tranquilo”, segundo um interlocutor de Alckmin. Com a escolha, o governador mantém a tradição de indicar integrantes do Ministério Público para comandar a Secretaria de Segurança. Todos os últimos secretários têm passagem pelo MP: Marco Vinicio Petrelluzzi , Saulo de Castro Abreu Filho, Ronaldo Marzagão e o próprio Ferreira Pinto.

Grella chega com a missão de fazer uma aproximação com a Polícia Civil. A gestão de Ferreira Pinto foi marcada pela indisposição com esse setor da polícia, num momento em que o governador quer intensificar a ação do setor de inteligência no combate ao crime organização.

O delgado-geral da Polícia Civil também deve ser trocado. Recentemente, Carneiro deu declarações ameaçando entregar o cargo em razão de uma ação de improbidade administrativa que passou a responder, movida pelo Ministério Público. A última declaração foi na segunda-feira, o que tornou a situação dele insustentável. O governador sabia que teria dificuldade de encontrar alguém que aceitasse um mandato “tampão” no posto de delegado-geral, já que nos bastidores da polícia a saída de Ferreira Pinto já era certa.

Ontem, três nomes eram discutidos no Palácio dos Bandeirantes para assumir a delegacia-geral da Polícia Civil: o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Nelson Silveira Guimarães, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Carlos José Paschoal de Toledo, e o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Marcro São Paulo, Youssef Abou Chahin.

 

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