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O PT de olho na vaga de Suplicy no Senado

Julia Duailibi

26 Abril 2013 | 04h00

Em reunião no Instituto Lula ontem, o PT começou a ensaiar um discurso para retirar a vaga de candidato à reeleição, em 2014, do senador Eduardo Suplicy (SP), que ocupa uma cadeira no Senado pelo partido desde 1991. O assunto foi abordado de maneira rápida por um  grupo de prefeitos e líderes do PT, na presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com relatos de petistas, um prefeito do partido sugeriu que, em 2014, Suplicy concorra a uma vaga de deputado federal. O presidente do partido, Rui Falcão, teria complementado a questão ao dizer que a vaga ao Senado seria importante numa negociação do PT com partidos aliados.

Os petistas paulistas acham que o nome de Suplicy pode ajudar a puxar votos na chapa de deputado federal, que não teria um nome forte na eleição de 2014 – muitos dos parlamentares que tiveram votação expressiva não vão concorrer na próxima eleição, como João Paulo Cunha, condenado no processo do mensalão, e Jilmar Tatto, que ocupa secretaria no governo de Fernando Haddad.

O outro ponto usado pelos petistas – e destacado por Falcão – é a necessidade de composição com aliados em São Paulo. O PT quer fechar alianças com o PMDB e o PSD, de Gilberto Kassab. Para isso, precisa ter as vagas de vice e do Senado para oferecer.

Há algum tempo, o PT já estuda rifar a vaga de Suplicy, cada vez mais distante da direção nacional. Na eleição do ano que vem, estará em jogo apenas uma cadeira no Senado por Estado, o que dá um peso ainda maior para a vaga – na eleição passada, foram renovadas as duas outras cadeiras. O PT, porém, teme os danos da operação. Avalia que Suplicy pode se colocar como vítima e conseguir o apoio da base do partido para poder disputar a reeleição.

Sucessão. Na reunião de ontem, também foi debatida a sucessão em São Paulo. O presidente do PT estadual, Edinho Silva, afirmou que o partido deveria definir o candidato a governador no final do primeiro semestre, para começar o segundo semestre com uma estratégia mais definida e uma organização maior. A tese foi ponderada pelos presentes, entre os quais Lula, que disse não ser hora de acelerar o processo. O ex-presidente afirmou, inclusive, que o ministro Aloizio Mercadante (Educação) ainda teria dúvidas sobre se será candidato em São Paulo.

Os presentes também falaram que o desempenho do Ministério da Saúde no Estado não seria um obstáculo para Alexandre Padilha disputar a eleição em São Paulo. Também cotado para concorrer em 2014, pesa contra o ministro o fato de os petistas avaliarem que sua gestão na Esplanada carece de uma marca forte. Ontem, no entanto, os integrantes do partido afirmaram que a gestão da saúde no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, também não serviria de bandeira eleitoral para os tucanos na eleição do ano que vem. Portanto, Padilha está no jogo.

O PT se divide hoje entre o nome dos dois ministros. Lula, segundo petistas, ainda nutriria certa expectativa pela candidatura do ministro Guido Mantega (Fazenda), que teria potencial para decolar apenas se a economia ganhar força.

Na reunião de ontem, o partido definiu que o novo presidente estadual será Emídio de Souza, ex-prefeito de Osasco. Ele será o responsável por conduzir o partido no processo eleitoral de 2014. A eleição será apenas em novembro.