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O mercado partidário

Julia Duailibi

30 de outubro de 2012 | 15h52

As eleições municipais mal terminaram e já se observa nos bastidores movimentações em busca de fusões ou criações de novos partidos. A principal delas trata de uma fusão entre o PP, do ex-prefeito Paulo Maluf, com o PSD, de Gilberto Kassab. As conversas são conduzidas pelo prefeito e pelo presidente nacional do PP, Francisco Dornelles. Se, de fato, a fusão sair, PSD e PP formariam uma bancada do tamanho da petista, que é hoje a maior da Câmara, com 86 deputados.

O “novo” partido passaria a pleitear, então, espaço proporcional ao PMDB, que tem hoje cinco ministérios. O PP tem uma pasta, a da Cidades. Kassab, que fará parte da base governista, vai indicar um ministro. É provável que fique com Transporte ou mesmo Cidades. Entre os cotados para ocupar a cadeira estão o próprio prefeito, o vice-governador Guilherme Afif Domingos, aliado de Kassab, e o presidente do PSD mineiro, Paulo Simão, visto com bons olhos pelo Planalto.

Em 2014, o PSD-PP seria uma força gigantesca, cortejada pelos principais candidatos pelo País. Em São Paulo, por exemplo, a fusão pode ameaçar os planos de Geraldo Alckmin (PSDB) de se reeleger. Se Kassab mantiver até lá a aliança com o PT – os ministros Alexandre Padilha (Saúde) ou Aloizio Mercadante (Educação) podem disputar o Palácio dos Bandeirantes -, praticamente dobraria o tempo de TV do PT. Em conversas com petistas, o prefeito já afirmou que pretende apoiar o partido em 2014, desde que fique com uma das três vagas majoritárias: senador, vice-governador ou governador. O mais provável hoje seria dar a Kassab a vaga para o Senado. Mas, para isso, o PT teria que tirar a indicação de Eduardo Suplicy, que provavelmente vai tentar se reeleger em 2014.

Além da fusão PSD-PP, há movimentação do atual presidente do PDT estadual, Paulinho da Força, que quer criar uma legenda própria, formada por sindicalistas. Presidente da Força Sindical, ele se indispôs com o seu partido na eleição deste ano. No segundo turno da disputa em São Paulo, resolveu apoiar o candidato do PSDB, José Serra, contra a orientação da cúpula nacional pedetista, que apoiou o petista Fernando Haddad.

Paulinho chegou a acionar integrantes do governo paulista para fazer uma sondagem sobre o interesse do Palácio dos Bandeirantes de apoiar o projeto de criar uma nova sigla. Se formada, a legenda poderia servir de apoio para a reeleição de Alckmin em 2014 – o governador já se preocupa com a montagem de um arco de alianças, que lhe garanta tempo de TV na corrida eleitoral daqui a dois anos.

Há, no entanto, um empecilho para a criação de novos partidos. PT, PMDB e PSD, entre outras legendas, querem colocar restrições, como o objetivo de evitar a perda de recursos e tempo de TV no horário eleitoral para siglas recém criadas. A ideia é evitar o efeito PSD – a ironia é que o PSD, que se beneficiou da regra atual, quer agora mudá-la.

Todas as movimentações partidárias têm um único objetivo: fortalecer as legendas com o maior número possível de parlamentares para conseguir ampliar os recursos do fundo partidário e o tempo de TV na propaganda eleitoral – ambos são calculados de acordo com a representação na Câmara dos Deputados.

Assim como se observou na disputa deste ano, os minutos na propaganda eleitoral são ativos da maior importância para os candidatos. Para ganhar mais tempo de exposição na propaganda eleitoral, os candidatos negociam cargos em secretarias e ministérios – e os “aliados” pegam esse espaço para ter visibilidade e, não raro, fazer política com a caneta do Estado. Pelo que se vê, já está aberto o mercado eleitoral de 2014.

 

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