“Meu pai é bem conservador em termos de família”
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

“Meu pai é bem conservador em termos de família”

Julia Duailibi

25 de setembro de 2012 | 16h32

Luara_1.JPG

Numa eleição influenciada pela discussão religiosa, Luara Russomanno, de 25 anos, filha mais velha do candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, diz que o pai é “conservador” e que rezava o Pai Nosso com ela todo dia antes de dormir. Assim como o pai, ela critica o que ele chama de “guerra santa” na disputa na capital paulista: “Eu acho que é uma coisa, sinceramente, nada a ver. É essa a palavra. Meu pai é católico, eu sou católica, fui catequizada, quero casar na igreja, uso escapulário, então não tem nada a ver uma coisa com a outra”.

Organizadora de eventos e sócia do pai em “algumas empresas”, Luara é filha do candidato com Adriana, que morreu num hospital após não receber atendimento médico. Russomanno filmou a agonia da mulher. Luara, que tinha três anos e diz não se lembrar da mãe, defende o pai no episódio: “Muita gente pega pesado, falando que ele se aproveitou ou algo assim, mas imagina? Tem que ter muita frieza no coração para fazer uma coisa dessa”.

Ela conversou com o blog ontem, durante o debate dos candidatos à Prefeitura de São Paulo na TV Gazeta.

 

Essa é a primeira campanha do seu pai que você acompanha?

Sempre acompanhei todas. Mas é que agora entendo um pouco mais, é diferente o envolvimento quando a gente é adulto. Essa é a que eu acompanho mais entrosada.

Você gosta de política?

Não é que eu goste ou não goste. Só não é a minha área favorita, uma coisa que eu me interesse para trabalhar.

E a liderança do seu pai nas pesquisas? Você também achava que seria voo de galinha?

Na verdade, a gente já vem pesquisando a área faz tempo, então a gente imaginava que ele tinha uma boa chance. Talvez, com a entrada de um outro candidato mais forte, a gente analisava o cenário. Mas foi feliz a conquista. A gente está cada vez mais trabalhando e achando que vai dar certo.

E os ataques que ele tem recebido?

Eu tenho uma opinião muito particular: eu tenho sofrido algumas coisas, assim foto, alguns comentários sobre mim… Eu acho que na política é certo, mas envolver a família, eu não concordo. Eu acho que é pegar muito baixo. Não tem necessidade. Como a história da minha mãe. Não tem necessidade. Ela tem uma filha, uma mãe, acho que é uma coisa que as pessoas não…

O que da sua mãe?

Pelo fato de meu pai ter defendido ela. Muita gente pega pesado, falando que ele se aproveitou ou algo assim, mas imagina? Tem que ter muita frieza no coração para fazer uma coisa dessa.

Mas os ataques que ele tem recebido, a inexistência do programa de governo, por exemplo?

Eu tenho minha opinião e sou bem particular em relação a isso. Se não concordasse com algumas coisas do meu pai, iria contra. Eu sou assim. Não é porque é meu pai. Eu posso dizer que é assim, que ele vai ser um bom prefeito, mas acontece que com todos esses ataques, essas coisas, ele acaba tendo que se defender mais do que falar sobre o programa de governo dele. E agora eles estão usando isso como outro ataque, já que tentaram tudo o que podia, agora estão tentando isso.

E as críticas da Arquidiocese ao partido dele e de que, se for eleito, governará com a igreja Universal?

Eu acho que é uma coisa, sinceramente, nada a ver. É essa a palavra. Meu pai é católico, eu sou católica, fui catequizada, quero casar na igreja, uso escapulário, então não tem nada a ver uma coisa com a outra. Sim, tem pessoas do partido dele que são da Igreja Universal,  mas isso não significa que vão influir, vão ter peso no governo dele. Meu pai é uma pessoa que ele governa. Ninguém vai ficar falando para ele o que ele tem de fazer. Ele vai fazer o que ele acha certo, não o que vão ficar falando para ele fazer.

Ele é religioso?

Ele é católico, sempre foi. Me ensinou a rezar. Toda a noite a gente reza o Pai Nosso.

Toda noite?

Agora eu não moro mais lá, mas sempre rezamos. Meu irmão está agora na catequese, tem nove anos. Ele é católico mesmo. Não tem nada a ver. Meu pai é bem conservador, em termos de família.

Como ele era durante sua adolescência?

Ele era bem tranquilo. Mas também eu nunca fui rebelde. Nunca foi problema ter namorado. Mas ele tinha um pouco de ciúme (risos).

Quem você voltou para prefeito na última eleição?

Nossa… Ah, 2008 eu não estava aqui.

E em 2010 para presidente: Dilma ou Serra?

Voto é secreto.

Se o seu pai não for para o segundo turno, em quem você vota?

Ah, ele vai para o segundo turno.

 

Tudo o que sabemos sobre:

filhaigrejaLuaramãeRussomanno

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.