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Mensagem inequívoca

Julia Duailibi

13 de abril de 2014 | 19h59

O evento de amanhã que lançará a chapa Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede) tem uma única importância: divulgar nacionalmente que a ex-senadora será mesmo vice do ex-governador de Pernambuco na disputa presidencial, por mais óbvio que isso possa parecer. O resto, como o tom do discurso, a adesão de globais e etc, é perfumaria. “Esse é o fator mais importante. Por enquanto, só os entendidos sabem disso”, afirmou um integrante do núcleo de comunicação do PSB-Rede, sobre a apresentação de Marina como vice, o que já é aguardado há meses – a formalização da chapa só ocorrerá em junho, mês das convenções.

Para Eduardo Campos subir nas pesquisas (por enquanto ele aparece em terceiro lugar, no cenário contra a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves), Marina atuará como guindaste – e para isso funcionar, acreditam os integrantes da pré-campanha, as pessoas precisam saber, o quanto antes, que ela topou formalmente compor a chapa com o ex-governador. Levantamento em mãos do PSB-Rede, feito na semana passada, com eleitores do Distrito Federal, mostra que o porcentual de votos em Campos mais do que dobra quando Marina é apresentada como a vice – a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula é conhecida do eleitor e teve quase 20 milhões de votos na eleição de 2010.

O programa nacional do PSB, que foi ao ar em cadeia nacional de rádio e TV há quinze dias, foi o primeiro passo na tentativa de colar os dois pré-candidatos. Na ocasião, o principal desafio era mostrar que existia uma relação política e pontos de convergência entre os dois. Campos e Marina apareceram juntos num bate-papo informal falando sobre visões parecidas a respeito do Brasil. Mas em nenhum momento Marina foi apresentada como pré-candidata a vice. O segundo passo se dará no encontro de amanhã, quando os dois adotarão para a imprensa de todo País um discurso inequívoco sobre a composição da chapa. “O PT é quem tem dúvidas sobre a cabeça de chapa”, ironizou o membro da pré-campanha numa referência a setores do PT que querem Lula, e não Dilma Rousseff, como candidato a presidente pelo partido.

Campos e Marina tentarão mostrar para as câmeras intimidade, naturalidade e entrosamento. Isso é fácil. Difícil será convencer o eleitor de que a chapa não passa de um projeto pessoal do ex-governador. Se há tanto entrosamento entre os dois e se a relação segue às mil maravilhas, como dizem, por que não deixar a cabeça de chapa com Marina, mais bem colocada nas pesquisas de intenção de voto que Campos – e por enquanto a única candidata que força o segundo turno com Dilma? Isso Eduardo Campos e o PSB não conseguiram, ou melhor, não podem responder.

 

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