As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Marta tira voto do Haddad, não de mim’, afirma Russomanno

Pré-candidato a prefeito de São Paulo diz que senadora, por ser uma profissional da TV, 'sabe se colocar como vítima'

Julia Duailibi

13 de janeiro de 2015 | 06h20

Eleito deputado federal com 1,5 milhão de votos, a maior votação do País, Celso Russomanno (PRB-SP) diz que a senadora Marta Suplicy tira votos do prefeito Fernando Haddad (PT) e não dele, na eleição pela Prefeitura de São Paulo em 2016. “Voto meu ela não tira. Ela tira voto do PT, do Haddad. Para mim, é até interessante que ela seja candidata”, afirmou o parlamentar eleito. Marta pretende deixar o PT para disputa o cargo de prefeita no ano que vem, já que o seu partido está fechado com a reeleição de Haddad.

Russomanno, Marta e Haddad dividem um perfil parecido de eleitor, que se concentra na periferia paulistana. O PSDB, que tem alguns pré-candidatos a prefeito, entre os quais os vereadores Andrea Matarazzo e Mario Covas Neto, conta tradicionalmente com forte votação no centro expandido da capital.

“É verdade que ela vai bem na periferia. Mas qual discurso que ela terá? Ela já foi prefeita e não conseguiu se reeleger. Agora, ela vai tirar votos do Haddad, sem dúvida nenhuma”, declarou Russomanno, destacando que, se Marta sair mesmo do PT, levará com ela cabos eleitorais e nomes ligados ao partido que poderiam fazer a campanha para Haddad nessa região da cidade. “Não me preocupo com a candidatura dela”, completou.  

O deputado eleito pelo PRB disse achar difícil que Marta consiga justificar a saída do PT à Justiça. Para não perder o mandato de senadora, ela precisa apresentar uma justificativa à Justiça Eleitoral que comprove “mudança substancial do programa partidário” ou “grave discriminação pessoal” – isso se ela não resolver migrar para uma nova legenda. Em entrevista ao Estado, no fim de semana, a senadora começou a traçar a estratégia de saída ao falar das mudanças no PT e da dificuldade de relação com os líderes, especialmente com o presidente da legenda, Rui Falcão.

“Marta vai ter que criar uma forma de sair do PT sem perder o mandato. Ela tem que criar um clima para sair, dizer que está mal no partido. Mas até agora não conseguiu. Porque ela ataca o PT, mas ninguém responde. Como vai justificar isso para a Justiça Eleitoral?”, questionou. Para ele, a senadora “sabe se colocar como vítima, ela é uma profissional da TV”, e por isso mesmo o PT não vai cair na armadilha de responder aos ataques, afirmou. “Vai ser muito difícil. Se o PT não responder aos ataques, ela não vai conseguir essa estratégia.”

Russomanno já prepara a pré-candidatura a prefeito. Neste ano, pretende intensificar ações na Câmara em defesa dos consumidores, sua bandeira eleitoral. Mas o maior cartão de visitas é o quadro Patrulha do Consumidor, que mantém em um programa de variedades às tardes, na Rede Record, ligada ao PRB. “Eu tenho um bom recall. Fui atacado pelo PT, que dizia que eu aumentaria a passagem de ônibus. Haddad fez justamente o que disse que eu faria. Nas ruas, as pessoas param e se dizem arrependidas por não terem votado em mim.”

A candidatura a deputado em 2014 fez parte de uma estratégia do PRB para ampliar o tempo de TV do partido no horário eleitoral, de olho na eleição do ano que vem. A votação de Russomanno fez crescer a bancada da legenda, que passou de dez para 21 deputados, e ampliou o tempo de TV do PRB na eleição de 2016 – os minutos a que cada candidato tem direito são calculados com base no número de cadeiras que o partido/coligação tem na Câmara.

“Fizemos como estratégia mesmo. Se eu disputasse o Senado, e eu aparecia bem em todas as pesquisas, não seria inteligente”, afirma Russomanno.

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.