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Kassab diz que é candidato a governador, mas mira a vice. De novo.

Julia Duailibi

15 de março de 2013 | 13h22

Hoje, publiquei no jornal um texto sobre as articulações do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) no atual xadrez político. O discurso público do presidente do PSD vai numa direção, enquanto a sua movimentação política nos bastidores segue por outra. Kassab diz publicamente que é candidato a governador de São Paulo em 2014, mas já fez chegar ao Palácio dos Bandeirantes a intenção de ser vice de Geraldo Alckmin na disputa – cargo que também foi alvo de conversas que manteve com o PT paulista.

Os tucanos são querem fechar as portas para Kassab, mas temem uma aliança com o ex-prefeito, com quem o governador rompeu na eleição para a Prefeitura em 2008, quando a cúpula do PSDB, inclusive José Serra, resolveu apoiar a candidatura dele contra a de Alckmin. “Se Kassab for vice em 2014, assume o governo em 2018 e acaba com o PSDB paulista no dia seguinte”, afirmou um tucano próximo ao governador.

O ex-prefeito mira em 2018, quando Alckmin, se reeleito em 2014, teria que se desincompatibilizar para disputar a Presidência da República. O cargo de governador, então, cairia no seu colo, como ocorreu com o de prefeito em 2006, quando Serra renunciou ao mandato para disputar o Palácio dos Bandeirantes.

Alckmin terá de colocar na balança qual risco prefere correr: o de ficar sem o apoio de Kassab e o tempo de TV do PSD na campanha à reeleição, jogando-o no colo do PT, ou o de entregar o partido nas mãos do ex-prefeito em 2018.

Leia o texto publicado no Estadão hoje:

Ex-prefeito quer ser vice de Alckmin

Assim como o PR, de Valdemar Costa Neto, e o PP, de Paulo Maluf, o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, trabalha em duas frentes na disputa de 2014: o alinhamento com o PT na reeleição de Dilma Rousseff, em Brasília, e o reenlace com o PSDB de Geraldo Alckmin, em São Paulo. O discurso público, porém, segue outra lógica, a do despiste: a retórica aponta em uma direção, enquanto a movimentação nos bastidores segue outra.

Ontem, Kassab disse que, antes de 2014, o PSD não embarcará no governo Dilma. Afirmou também que, se houver um ministério para o partido no curto prazo, será da cota da presidente – o vice-governador Guilherme Afif Domingos, por exemplo, seria uma escolha “pessoal” dela. Dessa maneira, o PSD, que na realidade ficou insatisfeito com as ofertas feitas pela Presidência – o partido chegou a almejar Transportes ou Cidades -, vende a ideia de que será independente. E tenta, assim, se descolar do estigma da negociata peemedebista, citada pelos líderes do PSD como exemplo a evitar.

Recentemente, o ex-prefeito também passou a dizer que será candidato a governador no ano que vem. Nos bastidores, o partido de Kassab já pediu a vice de Alckmin, com quem o ex-prefeito esteve no final do ano passado em uma conversa de aproximação no Palácio dos Bandeirantes. Kassab quer, assim, reeditar a mesma estratégia de 2004, quando foi vice de José Serra, caminho que o levou à Prefeitura. Na ocasião, o ex-prefeito também falava que o PFL, seu partido, teria candidato próprio. Mas, nos bastidores, trabalhava pela aliança com o PSDB. “Um dia quero ser vice, mas não agora”, afirmou em junho de 2004, três dias antes de ser indicado oficialmente candidato ao cargo pelo PFL.

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