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Joint venture demo-tucana

Julia Duailibi

27 Junho 2012 | 15h27

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o DEM estão alinhados na tentativa de tirar do PSD, do prefeito Gilberto Kassab, a indicação do candidato a vice-prefeito na chapa do tucano José Serra. A pressão aumentará se o Supremo Tribunal Federal, que está reunido neste momento, acatar a Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) proposta por sete partidos, entre os quais o DEM,  que questiona a constitucionalidade de uma mudança no critério de distribuição do Fundo Partidário e do tempo de TV no horário eleitoral.

Se a decisão não for favorável para Kassab, o partido não deve ter mais tempo de TV nesta eleição, e Alckmin engrossará o coro dos que defendem que a vice fique com o DEM – que contribuirá com mais minutos na propaganda eleitoral. Por trás do empenho do governador, está a sua reeleição em 2014, quando a legenda aliada pretende apoiá-lo. Além disso, Alckmin não quer fortalecer Kassab por vê-lo como um potencial adversário na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

Os tucanos, contudo, avaliam que o DEM pode apoiar o pleito do PSDB pela puro-sangue, com Andrea Matarazzo, ex-secretário de Cultura, se o partido for contemplado com uma participação no governo Alckmin – a Secretaria de Desenvolvimento Econômico é o alvo prioritário. O presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), virá a São Paulo cobrar de Serra a vice, mas os tucanos acham que conseguem negociar. Para os serristas, o acordo fechado com o DEM para apoiar Serra contemplava a retirada da candidatura de Antonio Imbassahy em Salvador, favorecendo o pré-candidato do partido, ACM Neto. Portanto, dizem, o DEM descumprirá o acordo se propagar o discurso da vice.

Nesta semana, o governador disse a integrantes do DEM que aceita a indicação de  Matarazzo, com quem conversou nos últimos dias, desde que eles abram mão da vaga. Para Alckmin, a saída puro-sangue é melhor alternativa que dar a vice ao PSD. O grupo de Alckmin chegou a se movimentar na semana passada, ao lançar como pré-candidato ao posto Edson Aparecido, ex-secretário de Desenvolvimento Metropolitano, e marcar posição na questão.

O cenário, portanto, segue hoje a seguinte lógica: se o PSD sair vitorioso, o vice deverá ser de Kassab, que indicará Alexandre Schneider, ex-secretário de Educação. Se perder, crescem as chances de ser uma chapa puro-sangue, provavelmente com Matarazzo, que é amigo de Serra e que conta com o apoio dos vereadores tucanos. Contra ele, há a resistência de Kassab, que trabalha para vetar o seu nome – os dois são adversários desde a gestão Serra na Prefeitura. Nesse caso, Aparecido aparece como opção mais forte da puro-sangue.

Segundo definiu um tucano, Serra está “fechado em copas”. A decisão deve sair até o final de semana.

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