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Janela de oportunidade

Com o governo fragilizado no Congresso e enfrentando escândalos de corrupção na Petrobras, os partidos sentem-se ainda mais à vontade para impor suas demandas e aumentar o quinhão na máquina, onde a caneta é invariavelmente usada para fazer política

Julia Duailibi

10 de janeiro de 2015 | 13h00

Publicado no Estadão Noite

Com a equipe de Dilma Rousseff (PT) empossada, começou a chorumela tradicional, mas cada vez mais descarada, entre os partidos aliados: a de que os ministros escolhidos para fazer parte da equipe presidencial não representam as respectivas legendas.

A lengalenga se espalhou por todos os partidos da base governista, que usaram os meios de comunicação para expor seu descontentamento e mandar seus recados, quando não ameaças, ao Palácio do Planalto.

Foi assim no PTB, de Armando Monteiro, escolhido para o Desenvolvimento. Foi assim no Pros, de Cid Gomes, escolhido para a Educação. Foi assim no PMDB, de Kátia Abreu, escolhida para a Agricultura. Foi assim no PT, de Pepe Vargas, escolhido para as Relações Institucionais.

Em todos os casos, surgiu um porta-voz de determinado setor do partido aliado para bradar que a escolha do ministro “não representa” a legenda e que o nomeado integra a “cota pessoal” da presidente. Subdivididos em grupos, os partidos passaram a buscar “representação”, leia-se, cargos para todas suas alas, da Câmara ao Senado, dos com barba aos sem barba.

“A pior coisa do mundo é a gente pagar pelo que não deve”, disse o deputado Givaldo Carimbão (AL), líder do Pros, que elegeu 11 deputados e levou o ministério da Educação. Mas mesmo assim ele não se sente representado com Cid Gomes, porque não é próximo do ex-governador do Ceará – para se sentir “representada”, a legenda centra fogo em cargos na Sudene e na Codevasf.

Com a temporada de nomeação dos ministros encerrada, a choradeira concentra-se agora nos cargos de segundo escalão: diretorias e presidências de instituições comoInfraero, Embratur, Eletrobrás, Furnas, Transpetro,  Dnocs, Chesf e por aí vai.  

Dilma também alimenta a sanha por cargos ao dar sinais de que emprego não faltará. A presidente pretende trazer para a equipe os que perderam cargo no ano passado, como Moreira Franco, ex-Aviação Civil, José Henrique Paim, ex-Educação, e Miriam Belchior, ex-Planejamento.

Com o governo fragilizado no Congresso e enfrentando escândalos de corrupção na Petrobras, as legendas sentem-se ainda mais à vontade para impor suas demandas e aumentar o quinhão na máquina, onde a caneta é invariavelmente usada para fazer política. É a janela de oportunidade. 

 

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