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Incompatibilidade de agendas

Julia Duailibi

08 de agosto de 2014 | 06h13

As equipes do governador Geraldo Alckmin e do presidenciável tucano Aécio Neves se encontraram nos últimos dias para tentar resolver um problema de agenda. Os eventos em que Aécio compareceu em São Paulo foram considerados fracos, típicos de uma “agenda de deputado”, segundo um integrante da campanha. A estratégia eleitoral de Aécio tem sido centralizar a ação no Estado, maior colégio eleitoral do País. Os tucanos acreditam que a vitória em Minas e em São Paulo, com a diminuição da diferença a favor de Dilma Rousseff no Nordeste, ajudará a levar o PSDB de volta ao Palácio do Planalto.

O responsável pela agenda de Aécio, o seu cunhado, Luiz Márcio, se reuniu com a coordenação da campanha de Alckmin para tratar do assunto.Entre as agendas que foram consideradas fracas, está a visita ao Parque da Juventude, num sábado frio e chuvoso, em que o local estava vazio. A equipe do tucano teve que correr para tirar outro evento da cartola, uma visita a uma obra social na zona leste, que mais parecia uma agenda de campanha municipal.

Outra agenda que também não funcionou foi uma ida à zona sul paulistana, com o vereador Milton Leite (DEM). Na região, conhecida por ser um forte reduto eleitoral petista, só havia apoiadores do vereador, que gritavam o seu nome. Também não fora programado um percurso prévio: Aécio, ao lado de Alckmin e de José Serra, ficou andando pela região, meio que sem destino.

As equipes querem agora focar grandes cidades pelo interior e litoral do Estado, de modo que as visitas rendam declarações de abrangência nacional e de conteúdo programático. A ideia é que Aécio visite Santos, onde falará de infraestrutura, e Ribeirão Preto, para tratar do etanol. Hoje, o tucano irá a Botucatu, a 200 km de São Paulo, visitar um centro de reabilitação para usuários de droga. O assunto aparece nas pesquisas do PSDB como uma das maiores preocupações do eleitor.

O problema é que, neste momento da campanha, Aécio e Alckmin têm objetivos diferentes. Aécio quer se expor em São Paulo e, assim, se tornar conhecido no Estado. Alckmin, que lidera as pesquisas de opinião, quer se preservar e opta por uma agenda minimalista. As duas equipes estão quebrando a cabeça para conseguir produzir uma mínima unidade tucana.