Hipóteses
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Hipóteses

Julia Duailibi

06 de julho de 2012 | 06h00

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Eduardo Jorge (PV), ex-secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, suspeita de que interesses de outras legendas na indicação do candidato a vice-prefeito na chapa de José Serra (PSDB) estariam por trás das acusações envolvendo o seu nome em supostas irregularidades para obtenção de alvará de funcionamento do Shopping Pátio Higienópolis. De acordo com o Ministério Público, uma testemunha teria dito que pagou propina para conseguir autorização para o corte de árvores no terreno do empreendimento. Eduardo Jorge nega todas acusações.

“Se tinha alguém interessado em bloquear a candidatura do PV, por algum motivo, com uma calúnia, esse alguém conseguiu”, afirmou Eduardo Jorge, que foi convidado nesta semana pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) para voltar à secretaria. “Eu tenho minhas hipóteses. Há 40 anos que estou na política. Tenho minhas hipóteses, mas, como não tenho certeza, não posso falar”, declarou sobre suas suspeitas.

 

O sr. estava cotado para ser vice de Serra. O que achou da escolha de outro nome, Alexandre Schneider (PSD), ex-secretário municipal de Educação?

Estava cotado a pedido do PV. Eu nunca pedi para ser candidato, nem a prefeito, nem a vice. Me recusei terminantemente no ano de 2011 a assumir qualquer pretensão de candidatura de prefeito ou vice prefeito. Em 2012, já um ano eleitoral, o PV, depois da coligação com o José Serra, pediu, quando desistimos da candidatura própria, que eu me colocasse à disposição para uma possível vice. Eu disse: “Bem, eu não pedi. Eu não reivindico. Mas também não vou negar isso ao PV. Se vocês acham que o meu nome é o mais viável, eu peço demissão, saio, não tenho nenhum apego a cargos desse tipo. Saio e estou à disposição de vocês. Mas eu, Eduardo Jorge, estou na mesma posição. Não reivindico nada”. Mas não posso negar ao PV isso aí. O José Serra  escolheu outra pessoa, aliás muito qualificado.

 

O sr. acha que a divulgação pelo Ministério Público da existência de um depoimento de uma suposta testemunha acusando o sr. de cobrança de propina inviabilizou a indicação? 

Eu só falo as coisas de que tenho certeza. Não posso falar sobre hipóteses. As pessoas me perguntam muito isso. Eu tenho minhas hipóteses. Há 40 anos que estou na política. Tenho minhas hipóteses, mas, como não tenho certeza, não posso falar. Agora, se tinha alguém interessado em bloquear a candidatura do PV, por algum motivo, com uma calúnia, esse alguém conseguiu. É pena que seja preciso que uma pessoa desse tipo use uma violência tão grande contra uma pessoa, uma família. Mas você sabe como a política é violenta, infelizmente. Realmente essa é uma hipótese. Não falo, porque não tenho certeza. Mas a lógica política diz isso. Alguém  usou a violência, uma infâmia, conseguiu o que queria. Era tão fácil. Era só pedir. Eu nunca pedi nada. Para que fazer isso?

 

Então foi fogo amigo? Alguém da coligação de Serra que tinha interesse no cargo de vice?

Novamente, entramos no campo das especulações. A verdade é que o PT não está preocupado comigo. Aliás, é um partido onde tenho grandes amigos e que sempre será um pouco meu também. Não tenho como negar meu passado, minha amizade e meu afeto com esse partido. Mas tem gente também no PT que me detesta e muita gente que gosta de mim. Mas eu não sou importante assim para fazerem uma coisa dessas. Mas, por exclusão, estamos chegando a um número menor de interessados.

 

Quem? Alguém do PSDB, que queria chapa puro-sangue?

Eu não estou falando isso. Estou falando que quem faz os cálculos políticos e hipóteses políticas vai chegando a um número mais reduzido de interessados em usar calúnia e infâmia para atingir seus objetivos políticos. É uma pena. Mas isso acontece em outros países, acontece no Brasil também. Mas é até aí que eu posso ir. Como te disse, eu tenho a insistência de ser nordestino, daqueles que só fala quando tem certeza.

 

O sr. vai voltar para a Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente?

Não sei. Vou te falar o que falei na reunião do diretório do PV (terça-feira). Na segunda-feira, o prefeito me ligou. Disse: “Quando é que você quer voltar?”. Eu disse: “Prefeito, me dê um  tempo. Eu agradeço, obrigado pela confiança, mas me dê um tempo para pensar”. No diretório do PV, na reunião que teve para avaliação da coligação, insistiram muito para eu voltar. Eu disse a mesma coisa que disse pro prefeito. E eles: “Quando é que termina esse seu pensamento?”. Eu disse: “Pensamento começa, quando termina não se sabe”. Por enquanto, estou voltado para a Saúde, de onde sou funcionário concursado, há 36 anos. Sou médico de saúde pública do Estado, que está me mandando pro município. Está em tramitação esta transferência. Deve ser publicada hoje ou amanhã no Diário Oficial.

 

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