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Hesitação de presidenciáveis dá força a ‘fenômeno’ Fidelix

A postura titubeante dos principais candidatos à Presidência em relação a temas considerados polêmicos pelos seus marqueteiros dá musculatura a franco atiradores que, em busca de audiência, pregam intolerância e preconceito

Julia Duailibi

29 de setembro de 2014 | 20h49

O jornalista Fernando Rodrigues, da UOL, fez uma ótima análise sobre as razões que levam o sistema partidário brasileiro a sustentar siglas como o PRTB, de Levy Fidelix, que, mesmo sem um deputado na Câmara, recebe mais de 1 milhão de reais por ano do erário, além de ter um palanque eletrônico a sua disposição em toda eleição, de modo que vai se perpetuando no cargo como executivo de um partido nanico.  

Chamado Dilma, Marina e Aécio são corresponsáveis por despautérios de Levy Fidelix, o texto aborda como os grandes partidos se beneficiam da existência de algumas legendas pequenas, que nas eleições funcionam como línguas de aluguel (por falar em língua de aluguel, prestar a atenção na dobradinha entre o candidato de Fidelix em São Paulo, Walter Ciglioni, e o tucano Geraldo Alckmin). Vale a pena ler.

A postura titubeante dos principais candidatos à Presidência em relação a temas considerados polêmicos pelos seus marqueteiros dá musculatura a “fenômenos” como Fidelix. Quando os candidatos ficam com medo de defender a criminalização da homofobia – entre outros temas – por questões eleitorais, dão margem para que franco atiradores em busca de audiência saiam por aí pregando intolerância e preconceito.

Marina foi a primeira a prestar um desserviço quando fez uma errata em seu programa de governo. A versão inicial, divulgada em agosto, falava em “articular no Legislativo” a aprovação do PLC 122/06, que criminaliza a homofobia, equiparando a discriminação com base na orientação sexual à relativa à cor, etnia e religião. Bombardeada pelo pastor Silas Malafaia, Marina retirou o trecho do programa.

Aécio também encontrou uma maneira de não se comprometer com a questão. Defendeu a criminalização da homofobia, mas disse que a matéria é do Congresso. Em outras palavras, diz que se for presidente não tem nada a ver com o assunto. Dilma também não contribuiu para o avanço do tema. Ela governa o País há quase quatro anos, mas só falou que era a favor da criminalização da homofobia depois de a adversária se enrolar com a questão. Levantou a bandeira da criminalização mais como resposta a Marina do que como ação programática. 

Essa postura dos candidatos influencia a forma como a questão é tratada pelos próprios partidos. Ontem, no debate da Record, a plateia formada por integrantes de diferentes legendas se equiparou à grosseria de Fidelix ao gargalhar das declarações do “candidato”. Enquanto isso, no palco, os “adversários”, inclusive os que se proclamam progressistas, ficaram calados.

 

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