As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Haddad mira a reeleição e se posiciona para 2018

Prefeito faz concessões a partidos e começa a pavimentar terreno que o torna um dos cotados a disputar o Palácio dos Bandeirantes

Julia Duailibi

22 de janeiro de 2015 | 05h21

Criticado pelos petistas durante os primeiros anos de seu mandato por não “fazer política”, o prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) mostrou nas últimas semanas que está empenhado em ceder espaço para as tradicionais negociações partidárias, que devem garantir uma base de sustentação à sua candidatura à reeleição no ano que vem.

Ontem, Haddad convidou Alexandre Padilha, ex-candidato ao governo paulista pelo PT em 2014, para secretário das Relações Governamentais. Fez o convite como um aceno ao PT e ao próprio Padilha, a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A relação entre Padilha e o prefeito azedou, principalmente porque integrantes da campanha do ex-ministro da Saúde cobraram maior empenho de Haddad na eleição e no pós-eleição para saldar dívidas (por empenho, leia-se ajuda financeira com eventuais doadores).

Haddad já havia convidado o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que deixa o Senado em fevereiro, para a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, numa sinalização clara à militância petista que, diferentemente da cúpula do partido, é fã de Suplicy. Conseguiu, assim, também dar dimensão a seu secretariado ao chamar para a equipe um nome de projeção nacional.

Os lances recentes do prefeito também tiveram como alvo outros partidos, com o objetivo de compor a base governista na Câmara Municipal e também de amarrá-los em torno da reeleição, como com o PR e o PSD.

Na costura partidária, o prefeito acenou ainda para o PMDB, de Gabriel Chalita, provável candidato a vice de Haddad no ano que vem, que ocupa agora a Educação.

A ida de Chalita para o time de Haddad e a provável indicação dele como vice em 2016 evidenciam mais do que uma jogada em busca da reeleição: mostram que Haddad, caso reeleito, pode renunciar ao cargo de prefeito em 2018 para disputar o governo paulista – Chalita se tornaria prefeito e depois disputaria a reeleição.

Haddad é hoje um dos nomes fortes do PT para entrar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, embora diga que a questão não está no radar – é claro que a indicação depende de outros fatores também, como topar o risco de uma renúncia e o índice de aprovação da sua gestão.

Mas, com a sombra de Marta Suplicy rondando a disputa pela Prefeitura e com 2018 já no horizonte, Haddad passou a agir como um profissional da política. Ao formar um amplo arco de apoio, com base no tradicional toma-lá-dá-cá, ele trabalha pela reeleição e, consequentemente, se posiciona no jogo pelo Palácio dos Bandeirantes. Não sem um custo. Despertará o fogo amigo no PT.

É uma questão de tempo.

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.