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Governo aposta em ‘solução médica’ para Gularte

Segundo brasileiro condenado à morte por tráfico de drogas na Indonésia foi diagnosticado com esquizofrenia, o que abre a possibilidade de ele não ser executado, segundo as regras locais

Julia Duailibi

21 de janeiro de 2015 | 14h16

O governo brasileiro avalia que o laudo médico apontando esquizofrenia é a solução mais provável para livrar o brasileiro Rodrigo Gularte da execução na Indonésia. Ele também foi condenado à pena de morte ao tentar entrar no País em 2004 com 6 kg de cocaína escondidos em pranchas de surf. Gularte teve o segundo pedido de clemência negado pela Indonésia, que no sábado passado executou por fuzilamento outro brasileiro condenado por tráfico, Marco Archer.

O advogado de Gularte, Utomo Karim, pago pelo governo brasileiro, já informou que essa será a estratégia de defesa no caso – a legislação local não prevê a execução de doentes mentais. No sábado, uma prima do surfista chegou à Indonésia para visitá-lo na Penitenciária de Kerobokan, em Bali. Ela teria relatado à família que Gularte está completamente fora de si e já “não fala coisa com coisa”.

A avaliação é a de que o laudo médico é o argumento mais forte para Gularte escapar da pena de morte, uma vez que as intervenções diplomáticas no caso de Archer se mostraram sem efeito – e o Brasil mantém uma relação comercial fraca com o País, o que dificulta a imposição de sanções comerciais. O problema é que Gularte rechaça o diagnóstico, concedido por médicos do próprio País.

Nos bastidores, integrantes do governo admitem ser difícil a adoção de novos mecanismos a favor de Gularte, já que a Indonésia ignorou todos os pedidos feitos pelo Brasil, inclusive com o apelo final da presidente Dilma Rousseff ao colega Joko Widodo, num telefonema na última sexta-feira. E aumentar o tom também poderia complicar a situação do condenado.

O governo diz que por dez anos conseguiu segurar a execução de Archer na Indonésia, e que agora trata-se de uma questão de política interna, já que o novo presidente do País foi eleito com uma plataforma conservadora de combate à corrupção e ao narcotráfico, inclusive com execução de traficantes, na qual obteve amplo apoio da população. O Itamaraty, porém, informou que continuará a dar prosseguimento às tratativas diplomáticas para conseguir a comutação da pena do brasileiro.

Em visita a uma mesquita ontem, Widodo voltou a dizer que não dará clemência a traficantes – há mais de 60 condenados, entre estrangeiros e indonésios, esperando execução no corredor da morte. “Os chefes de Estado que me contataram também estão sob pressão nos seus países”, afirmou o presidente do País.

O procurador-geral da Indonésia, Muhammad Prasetyo, também disse que o País não cederá às pressões externas e que continuará a priorizar a execução dos condenados por tráfico. 

 

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