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‘Ficamos reféns do governo federal’, afirma Anchieta

Julia Duailibi

02 de março de 2013 | 16h02

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O governador de Roraima, Anchieta Júnior (PSDB), avalia que o sistema político atual favorece a antecipação da campanha à Presidência por parte do governo federal. “A gente não tem o poder, a força, de antecipar uma eleição. No modelo criado no País, essa concentração de poder no governo federal é muito grande. Então todo mundo fica refém, de certa forma”, disse o tucano.

Leia abaixo a entrevista.

O sr. acha que houve antecipação do debate eleitoral de 2014?

Realmente, houve uma antecipação. Estamos a um ano e quatro meses do processo. Mas, logicamente, o que está acontecendo temos observado nas últimas duas campanhas eleitorais no País, em 2010 e 2012. Esse processo se repete mais uma vez.

E isso é ruim para o PSDB?

Para a gente, é diferente. O modelo criado no País, com a quebra do pacto federativo, dá um poder de barganha muito grande para quem está governando. O poder de barganha do governo federal é muito grande. Então, ele se antecipa porque ele joga de jeito diferente, independentemente de quem esteja no poder. Então, o governo federal se antecipando fica fácil, porque está votando o orçamento, vai fazer a sinalização para 27 governadores e os prefeitos. E nós, na oposição, temos o discurso, as ponderações e as críticas a serem feitas. Temos de reconhecer o que possa efetivamente estar correto, ponderar e propor mudanças em alguns setores do governo. Quando o governo federal antecipa, você não pode ficar calado. Mas a gente não tem o poder, a força, de antecipar uma eleição. No modelo criado no País, essa concentração de poder no governo federal é muito grande. Então todo mundo fica refém, de certa forma.

O candidato do PSDB é Aécio?

Eu acho que ele é uma pessoa preparada, tem uma história política, já teve oportunidade de estar no Parlamento, já foi presidente da Câmara, foi governador e senador. Tem um histórico. Acho que ele está preparado para ser candidato.

FHC e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, defenderam prévias ainda neste ano. O que o sr. acha?

Fundamental, se houver mais de um candidato. Temos quadros muito bons. O Aécio é um deles. Se houver alguma manifestação de alguém que queira se colocar candidato, eu concordo com as prévias. Mas tem que acontecer este ano. Não dá para fazer como em 2010. Chegar em maio e definir o candidato. Não dá tempo de construir uma candidatura a presidente, dentro do ano eleitoral, faltando 30 dias para convenções. Isso não existe. Vamos definir o novo presidente do partido em maio. Que façamos a prévia no começo do segundo semestre.

Aécio deve ser o candidato à presidência do partido também?

Eu acho que o nosso caminho é ele ser o presidente do partido. Ele vai ter mais visibilidade, tempo e o apoio de todos. Acho que ele é o candidato nato à presidência.

O senador ainda tem um discurso de oposição titubeante?

Eu não acho que ele titubeia. É uma questão de estilo. Pela própria natureza, o mineiro age diferente, fala diferente. Temos que respeitar a personalidade de cada um. Tem um que é mais agressivo, outro que é menos. Ele não perde nada pela maneira de agir. Eu admiro ele, é contundente com as coisas, objetivo. Não vejo ele titubear.

Qual discussão que o partido deve fazer em torno do programa na convenção nacional em maio?

Deve priorizar obras de infraestrutura do País, a matriz energética tem que ser revista, precisamos retomar a recuperação das rodovias federais e concluir as estradas fundamentais. Essas obras estruturantes são muito importantes. Trazer a universalização do saneamento básico no País todo também. E dar um ajuste na questão da economia. Vivemos um momento delicado, vemos que alguns setores do País estão parando, acho que tem de ter algumas mudanças. Vamos discutir essa questão cambial de forma mais sensata. A interferência do governo federal tem que ter limite no Banco Central. Que continuemos com a estabilidade que foi criada pelo PSDB em 1994 com o Plano Real.

O partido deve resgatar bandeiras da gestão FHC?

Lógico. FHC é um ícone na política deste País. Um estadista, foi um grande presidente. O Plano Real, o Sistema Único de Saúde, a Lei de Responsabilidade Fiscal foram vitórias na época dele que hoje todos sabem o significado e importância delas.

 

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