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‘Era minha obrigação tomar providências’, diz Russomanno sobre Dolly

Julia Duailibi

30 de julho de 2012 | 16h08

Com Fernando Gallo

O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, afirmou que a sua sociedade com o empresário Laerte Codonho, dono da Dolly, nasceu em 2007 para a redução dos custos com publicidade da empresa de refrigerantes. Codonho foi patrocinador dos programas de Celso Russomanno e doador de campanha do candidato em 2010.

Leia abaixo a íntegra das respostas, enviadas ao Estado na sexta-feira.

Quando e onde Russomanno conheceu o sr. Laerte Codonho?

Em Brasília, no ano de 2003. Fui apresentado ao Laerte e depois o vi novamente quando das denúncias de concorrência desleal da Coca-Cola contra a Dolly.

Quais empresas do sr. Codonho patrocinaram programas de Russomanno na TV?

A Dolly, não sei precisar qual das empresas do grupo.

Qual o período de vigência desses patrocínios?

2007/2008.

Como foi o processo para conseguir o patrocínio: o sr. Codonho que ofereceu?

Acho que foi porque meus programas sempre deram boa audiência, assim como outras empresas também patrocinaram. Inclusive, é bom citar, que constitui crime exigir exclusividade de propaganda, transmissão ou difusão de publicidade em detrimento de concorrência (Lei 8.137, artigo 5º, inciso I). Portanto, eu não poderia negar qualquer empresa que se dispusesse a patrocinar meus programas.

Durante audiência para apurar suposta concorrência desleal da Coca-Cola contra a Dolly, em novembro de 2004, na Câmara, Russomanno disse ter atuado como árbitro do litígio. De que forma isso se deu? Ele participou de quantas reuniões entre representantes das duas empresas? Onde foram essas reuniões? 

Durante muitos anos mantive bom relacionamento e amizade com a direção da Coca-Cola. Resolvi problemas de denúncias contra a empresa que chegaram à Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara. A primeira foi a das tampinhas premiadas da Coca-Cola, que deveriam ter sido impressas no valor de R$ 100 e foram no valor de R$ 100.000. A empresa se recusava a fazer o pagamento do prêmio que estava impresso no interior das tampas. Depois, a Coca-Cola, em Brasília, lançou uma água mineral de nome “Bonáqua”. Aí os engarrafadores de água mineral denunciaram que aquela água não era mineral, mas potável acrescida de sais minerais. Em ambos os casos, os problemas foram mediados e resolvidos. Quando me chegou a denúncia de concorrência desleal praticada contra a Dolly, tentei mediar uma solução, mas foi infrutífera. Então, levei para a Audiência Pública na Câmara. Houve reuniões em lugares pré-estabelecidos pela própria Coca-Cola a fim de que ela pudesse tomar ciência do que a Pananco (que depois se transformou em Femsa) estava fazendo contra a Dolly em São Paulo.

Nos encontros, a Dolly se ofereceu para ser vendida para a Coca-Cola? 

Não.

O sr. Codonho pediu a ajuda de Russomanno durante o litígio contra a Coca-Cola?

Não, me foi trazida a denúncia, e de ofício era minha obrigação como parlamentar na Comissão de Defesa do Consumidor tomar as devidas providências.

Russomanno já usou o helicóptero do sr. Codonho enquanto deputado federal? 

Sim, para trabalho da ND Comunicação.

Por que o sr. Codonho se tornou sócio da ND Comunicação em 2007?

Para a redução dos custos de produção dos seus filmes publicitários.

Houve investimento dele na empresa?

A compra de parte da empresa.

A ND Comunicação é devedora da Fazenda Nacional. Qual o valor da dívida e qual a razão dela?

Ela está no Refis.

A Justiça Federal condenou o sr. Codonho a cinco anos de prisão em regime aberto por crime contra a ordem tributária? Qual avaliação Russomanno faz dessa condenação?

Nenhuma. Tomei conhecimento disso através deste questionamento. Fiz uma consulta e me foi informado que está em grau de recurso na Justiça. Só vou opinar quando terminar o processo.

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