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Entidade quer posição de Dilma contra ‘repressão’ na Rússia

Julia Duailibi

13 de dezembro de 2012 | 15h07

A ONG Human Rights Watch (HRW) pediu hoje à presidente Dilma Rousseff que expresse preocupação com a questão da “repressão da sociedade civil” na Rússia, durante sua visita ao país, que começou hoje. Amanhã a presidente deve se encontrar com o colega russo Vladimir Putin.

“O Brasil se distanciou do seu passado autoritário há muito tempo, mas o mesmo não pode ser dito sobre a Rússia”, disse José Miguel Vivanco, diretor da Human Rights Watch para as Américas, em comunicado enviado à imprensa hoje. “Existem problemas graves de direitos humanos no Brasil, mas o governo acolhe a participação da sociedade civil. A presidenta Dilma deveria instar Putin a fazer o mesmo”, completou.

“Seria um erro grave a presidenta Dilma Rousseff ignorar a repressão na Rússia, pois esta viola os princípios básicos de direitos humanos que o Brasil adotou em sua legislação nacional e tratados internacionais”, afirmou Vivanco. “Se o Brasil quiser ser levado a sério como líder em assuntos globais, não deveria ter medo de defender esses princípios ao lidar com governos que os desrespeitam.”

A entidade apontou medidas que tiveram o respaldo do governo russo nos últimos meses e que, na avaliação da HRW, seriam tentativas de coagir a sociedade civil. Entre elas, destacou ações implementadas pelo Parlamento do país como a criminalização da difamação e a restrição ao conteúdo acessado na internet e à organização de assembleias públicas.

A HRW também falou das críticas do governo às organizações sociais e a estrangeiros e de medidas tomadas em novembro, segundo as quais organizações não governamentais dedicadas ao trabalho de advocacia e que recebam recursos de fora do país identifiquem-se como “agentes estrangeiros” – para a entidade, uma forma de “demonizar” ONGs.

Entre as questões levantadas pela entidade, estão a prisão e o julgamento das integrantes da banda russa Pussy Riot. Em março, três artistas da banda foram presas por fazer críticas ao governo russo numa igreja cristã ortodoxa. Duas foram condenadas a dois anos de prisão. 

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