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Em jantar, Maluf defende peemedebista de acusações

Julia Duailibi

18 de janeiro de 2013 | 15h26

Bruno Boghossian

Em campanha para se eleger presidente da Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) recebeu cerca de 20 parlamentares para um jantar no restaurante Figueira Rubaiyat, em São Paulo. Alves, que é favorito na disputa, recebeu palavras de apoio de Paulo Maluf (PP-SP), que o defendeu de acusações de corrupção, e contou com a presença de um deputado do PSB, partido que lançou seu próprio candidato ao comando da casa.

Os convidados chegaram por volta de 19h30 e se sentaram em um salão reservado nos fundos do restaurante, protegido da visão dos demais clientes por divisórias de madeira. No espaço reservado, Alves recebeu apoio de representantes da bancada paulista da Câmara, com deputados do PT, do PSD, do PPS, do PTB e do DEM – parlamentares do PSDB não apareceram, mas declararam voto no peemedebista horas antes, na sede do governo de São Paulo.

Chamou atenção a presença do deputado Abelardo Camarinha (PSB-SP), cujo partido tem um candidato ao comando da Câmara, Júlio Delgado (PSB-MG). Três participantes do jantar relataram que Camarinha chegou a declarar voto em Alves durante o encontro. Ele nega. “Vim atender a um chamado do vice-presidente Michel Temer, meu amigo desde 1976, mas vou seguir a orientação do meu partido”, explicou-se. Questionado sobre a suposta declaração de apoio ao candidato do PMDB, resumiu: “O voto é secreto!”.

Durante a refeição, alguns convidados se levantaram para elogiar Alves. O destaque foram as palavras de Maluf, que defendeu o deputado do PMDB das acusações de que teria beneficiado a empresa de um ex-assessor com emendas parlamentares. Maluf, que responde a denúncias de corrupção por sua gestão à frente da Prefeitura de São Paulo, disse que Alves não deveria “se preocupar com isso”, segundo relatos de outros parlamentares. Todos fitaram Maluf, sem questionar seus conselhos.

Alves chegou a defender a atividade da imprensa, que publicou reportagens expondo suspeitas de corrupção em seu gabinete. Deputados contam que ele afirmou que os “exageros” são melhores que a “falta de voz” que ele atacou durante os períodos de censura da ditadura militar.

O jantar foi pago pelo PMDB nacional, de acordo com Alves. Em média, uma refeição sob a gigantesca figueira de 130 anos do restaurante sai por um preço de R$ 150 a R$ 180, sem bebidas. De entrada, foi servido coração de pupunha assado no forno a lenha com coalhada fresca e rúcula. Para o prato principal, uma escolha entre tiritas de picanha com legumes no forno de barro ou crepe de legumes. Os convidados também tinham acesso a um bufê de sobremesas. A mesa reservada abrigava 50 pessoas, mas a adesão não foi completa.

Os petistas engrossaram o público do jantar, com Arlindo Chinaglia, Cândido Vaccarezza, Paulo Teixeira, José Mentor, e Devanir Ribeiro, todos de São Paulo, e André Vargas, do Rio Grande do Sul, que é candidato a vice-presidente da Câmara. Estavam lá também Guilherme Campos (PSD), Arnaldo Faria de Sá (PTB), Arnaldo Jardim (PPS), Jorge Tadeu Mudalen (DEM) e outros parlamentares. No encontro, Alves gabou-se de ter também o apoio de partidos como o PR, o PSC e o PCdoB.

Além da troca de elogios, os deputados reclamaram entre si sobre a dificuldade de se obter emendas parlamentares e sobre a judicialização do processo legislativo – em que os tribunais são chamados a se pronunciar sobre vazios ou dúvidas deixados pelo Congresso durante a elaboração das leis.

Henrique Alves se sentou entre Chinaglia e o vice-presidente Michel Temer. Deixou o jantar correndo, às 22h, gritando: “Preciso ir porque o aeroporto vai fechar!” – ele embarcaria ainda nesta quinta-feira para Natal. Respondeu a todas as perguntas da imprensa sobre as denúncias de corrupção contra seu gabinete, destacando que “não são denúncias, mas questionamentos naturais”.

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