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Economistas avaliam relação do governo com mercado

Julia Duailibi

22 Abril 2013 | 04h04

Reportagem publicada hoje pelo Estado mostra como o mercado financeiro analisa a gestão de Dilma Rousseff e a sucessão presidencial de 2014. Abaixo, dois economistas falam sobre a relação do setor com a presidente e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Ricardo Carneiro, diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) 

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Como o sr. avalia que a relação do governo Lula com o mercado?

Creio que o essencial foi o compromisso em respeitar os contratos e o repúdio às teses de não pagamento ou renegociação com deságio das dívidas externa e interna. No que tange à política macroeconômica o seu comprometimento com a baixa inflação e o equilíbrio das contas públicas também foi importante. Não deixaria de lado os instrumentos que foram progressivamente aperfeiçoados para acelerar o crescimento tendo o setor privado como ator principal.

Investidores, banqueiros e operadores do mercado mantém hoje uma relação mais crítica com Dilma.

Não creio nisso. Acho que a presidenta fez mudanças importantes na economia, todas elas, aliás, reclamadas por amplos segmentos empresariais – redução dos juros, estabilização cambial, redução do custo da energia, desoneração da folha de pagamentos, investimento em infraestrutura em parceria com o setor privado, etc. Como em qualquer mudança há sempre interesses contrariados, mas creio que eles são minoritários.

Formuladores das políticas econômicas do País devem manter relação próxima com os operadores do mercado?

É importante que o governo ouça os empresários, aliás, tem feito isto por meio do Banco Central e dos vários Ministérios. Mas o governo tem também que ouvir os demais segmentos da sociedade e não pode tomar decisões com base nos interesse imediatos de nenhum desses grupos. Suas ações têm que visar os interesses maiores do país e da sociedade.

 

Luiz Carlos Bresser Pereira, economista e professor da FGV-SP

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Por que o mercado é crítico à gestão Dilma?

O mercado ficou viciado em taxas de juros muito elevadas. Desde o plano real até há uns oito anos atrás, a taxa real de juros era superior a 10%. Essa taxa de juros neste últimos tempos, um pouco já no final do governo Lula e outro tanto no governo Dilma, caiu para 2,5% em termos reais, e isso não é agradável. O mercado tem que hostilizar quem está defendendo uma posição dessas, e hostiliza. Jamais vão usar o argumento de que querem juros. Eles dizem que querem desenvolvimento e distribuição de renda e a felicidade geral da nação.

A relação com Lula era melhor?

Lula governou num período de vacas gordas. Havia aumento enorme do preço das commodities que permita com que ele fizesse um crescimento com distribuição de renda. E somado a isso ele herdou uma taxa de câmbio muito apreciada, que em reais de hoje equivale a seis reais por dólar, quando você recebe uma economia de 6 reais por dólar, é uma beleza, porque você pode apreciá-la. E a medida que a moeda vai se apreciando você aumenta salários e combate a inflação. Então esses dois fatores, a possibilidade de apreciar o câmbio e o aumento das commodities, criou uma situação de felicidade geral, então ficava difícil hostilizar o Lula.

Por que o mercado vê Aécio com maior simpatia?

Eles já estão querendo eleger o Aécio, porque o PSDB é o partido de centro direita comprometido com os interesses do mercado financeiro. O que eles querem são os juros, o que eles querem é o Aécio. Eles sabem quem são os economistas que assessoram o Aécio, portanto eles sabem o que vem.