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Duas questões sobre a eleição paulista

Julia Duailibi

18 de julho de 2014 | 10h44

A pesquisa Datafolha sobre as intenções de voto em São Paulo, divulgada ontem, evidencia duas questões da sucessão eleitoral no maior colégio eleitoral do País.

A primeira delas é que o eleitor paulista aprovou a resposta do governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB) a episódios polêmicos recentes, como as demissões dos grevistas do Metrô, a ação da polícia nas manifestações (com a prisão de ativistas) e o gerenciamento da crise de abastecimento de água – a população parece ter aceitado a explicação do governador, segundo a qual o problema do abastecimento está exclusivamente relacionado à maior seca pela qual o Estado passa nos últimos 80 anos.

Pesquisas internas do PSDB já mostravam que o paulista apoiava a condução de Alckmin nesses episódios, mas nem os tucanos esperavam um desempenho tão positivo na pesquisa. O governador aparece com 54% das intenções de voto e, se a eleição fosse hoje, ele seria eleito no primeiro turno. A aprovação ao seu governo, que ajuda a manter o índice de intenção de voto neste patamar, também cresceu. Passou de 41%, em junho, para 46%.

Os adversários não estão conseguindo desidratar Alckmin com o discurso do cansaço do eleitor com os 20 anos do PSDB no poder, mesmo numa disputa em que a palavra de ordem é mudança (mais no cenário nacional, mas sem dúvida há alguma contaminação no estadual).

É aí que está a segunda questão apontada pela pesquisa. Por enquanto, a adesão do PSD, de Gilberto Kassab, do PP, de Paulo Maluf, e a adoção de um discurso linha dura não produziram um efeito positivo esperado pela campanha do candidato do PMDB, Paulo Skaf, que tem 16% das intenções de voto (em junho, num cenário parecido, ele tinha 21%). As alianças de Skaf podem, inclusive, ter funcionado com uma âncora na campanha do PMDB, já que a rejeição a Maluf e Kassab é alta entre os eleitores.

Tudo bem que a propaganda na TV não começou ainda – a partir de agosto ela entra no ar e aí a campanha começa para valer. Skaf tem o maior tempo de exposição no horário eleitoral e ainda Duda Mendonça para tocar seu programa. Mas, ainda assim, esperava-se na campanha que os atos políticos criados pelo PMDB em torno da campanha de Skaf,  assim como a estratégia de endurecer o discurso para tirar votos de Alckmin e aumentar o cacife entre os eleitores mais conservadores para forçar um segundo turno, dessem algum fôlego ao candidato.

Já o candidato do PT, Alexandre Padilha, aparece na situação mais complicada. Ele tem 4% das intenções de voto. Padilha vai crescer ainda, puxado pelo PT, que tradicionalmente tem dos 30% dos votos no Estado. O desgaste eleitoral do partido no Estado nesta eleição é maior. Talvez ele não cresça o suficiente para ajudar a forçar um segundo turno (em 2006 e 2010 0 PSDB levou a eleição no primeiro turno).  Mais difícil ainda será ele conseguir uma vaga na segunda fase da disputa.

A rejeição ao petista, que é pouco conhecido, já aparece alta, a maior entre os candidatos: 26%. Em 2012, nessa mesma época, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad,  tinha 7% das intenções de voto. Desconhecido da população, Haddad tinha uma rejeição mais baixa que Padilha: 12%.

 

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