‘Devemos iniciar o ano sabendo quem será o candidato’, diz Anastasia
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‘Devemos iniciar o ano sabendo quem será o candidato’, diz Anastasia

Julia Duailibi

02 de março de 2013 | 16h04

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O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), aliado do senador Aécio Neves, afirma que a direção do partido deve se articular para definir o candidato do PSDB ainda neste ano. “A direção do partido que vai ser eleita em maio é quem vai decidir essa cronologia. Nós sabemos que um candidato identificado mais cedo tem prós e contras. É o dado da realidade. Eu, pessoalmente, acho que devemos iniciar o ano sabendo quem seria”, afirmou o mineiro.

Leia abaixo a entrevista.

Como o sr. vê a antecipação do debate eleitoral de 2014?

O que parece, o que todos observam, é que de fato o debate político relativo à eleição de 2014 já está ocorrendo. É claro que os atos formais só vão acontecer no ano que vem. Agora, se isso é positivo ou negativo, é muito difícil mensurar nessa altura. Eu acho que o PSDB, como todos os demais partidos, deve ir sempre se reciclando. É como um organismo vivo. Agora, passadas as eleições de 2012, como partido político e como uma entidade que depende de eleições, tem que ir se preparando para 2014. Mas é claro que no ritmo que a direção do partido julgar necessário.

Para o PSDB é interessante antecipar a discussão eleitoral?

Tanto na política como no futebol cada um acaba tendo uma opinião. Se você me perguntar qual a sua seleção ideal, se perguntar para mil pessoas, terá mil opiniões distintas. Então é um pouco subjetivo. O PSDB, como partido de oposição, deve fazer oposição, especialmente parlamentar, e apresentar as teses de maneira sempre construtiva, como alternativa ao partido que estará no poder 12 anos.

O PSDB não tem falhado ao fazer oposição?

Eu acho que não era tempo de começar essas teses. Primeiro, foi o esforço na campanha municipal, que terminou no final do ano. Agora começam as tratativas de identificar os grandes projetos, rumos e temas. Os temas se dividem em dois grupos: o que são conjunturais e os estruturais, que são sempre os mais relevantes. O partido vai ter que abordar exatamente esses dois grupos de temas, para discutir questões imediatas e também de longo prazo. O Brasil precisa estimular o planejamento de longo prazo. Ficamos meio atrasados nisso.

O PSDB vai falar em planejamento e economia enquanto a propaganda do governo falará em redução de miséria…

Os temas estão vinculados. Quando se fala em redução de miséria, fala-se em economia e vice-versa. O partido deve ter como prioridade de ação a questão da qualidade de vida das pessoas. Isso é inegável. Você está na vida pública por vocação e também para melhorar a vida das pessoas. Acho que o PSDB tem essa ciência. Tanto que a grande conquista que o partido teve nos últimos anos que foi o Plano Real, a estabilidade da moeda, que deu uma qualidade de vida extraordinária ao povo brasileiro e permitiu toda essa consequência de desenvolvimento que o Brasil teve nos últimos anos. Agora, os novos projetos têm que surgir. Não precisamos ficar presos a um único assunto. Então, o que se vai ver em educação, saúde, segurança, infraestrutura, assistência social e políticas econômicas, tudo vai ser objetivo desse debate, que vai caminhando para o ano que vem que numa sintonia fina que vai representar a plataforma do nosso candidato.

O sr. acha que o partido deve defender o governo FHC?

Acho que sim. O partido exerceu a Presidência da República por oito anos, governa Estados por muitos anos. Acho que todos os pontos que o partido apresentou melhora devem ser apresentados. E também receber as críticas daquilo que as pessoas acham que não funcionou bem. Debater isso. Não podemos ter nenhum preconceito contra as ideias nem contra o debate.

Mas o governo FHC foi mal avaliado por parte da população… 

Naquele momento, foram avaliações de opinião pública. Você vê como o presidente hoje é reconhecido, e as pessoas percebem qual foi a importância do seu mandato e o papel que ele teve. Até o reconhecimento pela pessoa dele. Isso tudo são bandeiras que devem ser colocadas e discutidas para então perceber o que aconteceu naqueles anos e seus efeitos nos anos seguintes.

Como o sr. vê a entrada dele no debate eleitoral?

Muito positiva, não só por sua autoridade de liderança máxima como intelectual. É fundamental. Ele tem que ter um papel muito importante. É um grande orientador. Um líder muito preparado, que tem capacidade de dar ao partido essa dimensão nacional.

Ele foi injustiçado pelo PSDB nas campanhas anteriores?

A imprensa fala muito nisso, mas eu acho que nem ele considera assim. O presidente tem muito reconhecimento das pessoas, independentemente de partidos, pelo que fez de bom ao Brasil. É uma personalidade da nossa história recente que tem grande patrimônio político e eleitoral.

A candidatura Aécio é irreversível?

Eu já queria que ele tivesse sido candidato há mais tempo. Em 2010, ele próprio declinou da sua candidatura, para todos nós apoiarmos o governador Serra. Mas eu acho quem em 2014 já há um caminho a favor do senador Aécio, pela sua trajetória política, sua disponibilidade, sua capacidade de articulação e, sobretudo, pelo perfil do candidato. Ele é um candidato para cima, como boas ideias, que fez uma excelente administração aqui no Estado. Então acho que tudo isso soma positivamente.

Ele vai se apresentar como o candidato ‘bossa-nova’?

De fato, o senador Aécio tem essa personalidade. É um fato positivo da personalidade dele. É uma pessoa para cima, positiva, com boas ideias. Eu acho que isso é bom. Será uma campanha em alto astral.

Mas o discurso de oposição dele ainda não pegou.

Para uns sim, para outros não. O discurso da semana passada foi muito bem feito, tocou em pontos importantes. Mas, como as pessoas não estão neste momento vendo a questão da eleição, isso ainda não empolgou a população. Acabou de terminar uma eleição municipal. O homem comum não está pensando em eleição ainda.

Se houver mais um candidato, o sr. acha que deve haver prévia?

Foi o que presidente Fernando Henrique falou também. Se houver mais de um candidato disposto, por que não as prévias? Estou totalmente de acordo.

Ainda neste ano?

Acho que sim. Mas a direção do partido que vai ser eleita em maio é quem vai decidir essa cronologia. Nós sabemos que um candidato identificado mais cedo tem prós e contras. É o dado da realidade. Eu, pessoalmente, acho que devemos iniciar o ano sabendo quem seria.

Qual papel de Serra nesse processo?

É um papel muito importante, tem uma experiente imensa. Terá papel fundamental nessa estrutura. Vamos aguardar também qual vai ser sua posição, se ele tem pretensões, se não tem. Isso eu não posso dizer.

 

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