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‘Desistência’ de Mercadante lembra operação feita por Lula em 2011

Julia Duailibi

26 Abril 2013 | 20h08

O ministro Aloizio Mercadante (Educação) queria ser candidato a governador de São Paulo pelo PT em 2014. Disse isso a mais de um interlocutor, e não só do PT. Agora, anunciou que resolveu não disputar a eleição paulista porque considera “a educação a grande prioridade estratégica do País”. “Eu, ficando, também demonstro essa prioridade. Temos que demonstrar essa prioridade com atitudes concretas”, afirmou.

Nos bastidores, sabe-se que Lula não queria Mercadante candidato em São Paulo. Falava da “fadiga de material” e da necessidade de o partido avançar para além dos 30% de intenção de votos que tradicionalmente tem no Estado – Mercadante disputou o governo em 2006 e 2010 e perdeu os dois embates. No partido, já era esperada uma operação de Lula com a presidente Dilma Rousseff para pedir a Mercadante que ficasse no governo, onde seu trabalho seria indispensável – uma maneira elegante de o retirar da disputa de 2014. Pelo jeito, a operação saiu agora…

A saída de Mercadante do cenário lembra a operação de 2011, quando Lula tirou de cena Marta Suplicy para emplacar  Fernando Haddad como candidato a prefeito de São Paulo no ano seguinte. Deu certo, Haddad foi vendido como uma “novidade” e ganhou a eleição. Com Mercadante, a história é um pouco diferente. A operação, segundo os petistas, deveria ser mais cirúrgica, já que o ex-presidente tem uma relação mais próxima com o ministro, além de ter uma dívida com ele, que teria se sacrificado e entrado em disputas eleitorais que não queria a pedido de Lula. Portanto, a decisão de não ser candidato deveria partir de Mercadante, ainda que ele fosse levado a tomar essa resolução.

Outra coisa. No longo prazo, ficar no governo pode ser bom para Mercadante. O ministro é um dos mais fortes da Esplanada, e a presidente gosta dele. A eleição de 2018 está logo aí e, por enquanto, Dilma não tem um candidato. Desde já, Mercadante torna-se um dos cotados para a sucessão, se ela se reeleger no ano que vem.

Agora, o cenário fica aberto para os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Guido Mantega (Fazenda). Em reunião no Instituto Lula, ontem, os petistas chegaram a dizer que a ausência de uma marca de Padilha no ministério, uma das fragilidades do ministro apontadas pelo partido, não seria um obstáculo para ele disputar São Paulo. Lula também vê com simpatia o nome de Mantega. Avalia que seria um ótimo candidato se a economia voltar a crescer no ano que vem. Na reunião de ontem, quando os petistas falaram que o partido tinha que ter o candidato resolvido até o primeiro semestre, alguém citou Padilha. Lula disse que poderia ser outro nome também…

Há outros cotados para a disputa, mas que não devem entrar no páreo. O ministro José Eduardo Martins Cardozo (Justiça) não conta com o apoio de Lula. E o prefeito Luiz Marinho (São Bernardo do Campo) já disse ao PT que pretende ficar até o final da sua gestão, em 2016, no ABC paulista.

 

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