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Cotada para ministério recebeu doações de investigado pela PF

Preso na Operação Terra Prometida doou R$ 200 mil para campanha de Kátia Abreu

Julia Duailibi

01 de dezembro de 2014 | 22h37

Cotada para integrar a equipe da presidente Dilma Rousseff como ministra da Agricultura, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) recebeu neste ano doações de uma empresa e de seu principal executivo envolvidos na Operação Terra Prometida, da Polícia Federal, que investiga esquema bilionário organizado por fazendeiros e empresários para a venda de terras destinadas à reforma agrária.

De acordo com a prestação de contas enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kátia Abreu recebeu R$ 350 mil em doações da trading de grãos Fiagril, investigada no escândalo. Desse total, R$ 100 mil foram repassados para a campanha do filho, o deputado Irajá Abreu (PSD-TO), que foi candidato à reeleição. Preso na operação, Marino Franz, presidente da Fiagril e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde (TO), também doou R$ 200 mil para a senadora. Ao todo, somando os recursos da empresa e de seu dono, foram repassados R$ 550 mil à campanha de Kátia Abreu.

A doação de Franz à senadora, que disputou a reeleição, foi feita por meio do Comitê Financeiro do PMDB de Tocantins, para quem ele destinou um total de R$ 450 mil. Ainda segundo os dados do TSE, além desses recursos, Franz também repassou R$ 70 mil para candidatos a deputado federal pelo PSDB e pelo PV do Mato Grosso.

Na sexta-feira, a Justiça pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue o ministro da Agricultura, Neri Geller, do PMDB do Mato Grosso. Ele e os irmãos, Odair e Milton, presos desde a semana passada, são acusados de integrarem o chamado “Grupo Geller”, que possuiria entre 15 e 18 lotes obtidos irregularmente no Assentamento Itanhangá/Tapurah, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Doações – A Operação Terra Prometida cumpriu 52 mandados de prisão de fazendeiros e integrantes do Incra, entre outros envolvidos. O esquema teria desviado mais de R$ 1 bilhão com a venda de terras da União. De acordo com as investigações, um dos lotes que teriam como destino a reforma agrária pertenceria a Fiagril, de Marino Franz, empresa que também produz grãos, biodiesel e fertilizantes.

A campanha de Kátia Abreu, que custou R$ 6,9 milhões, foi a segunda maior beneficiada com doações da Fiagril. O comitê da deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) foi o que mais recebeu recursos da empresa, num total de R$ 380 mil. A presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador eleito de Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), também captaram doações de R$ 80 mil e R$ 300 mil, respectivamente. Ao todo, a empresa doou R$ 1,2 milhão para candidatos na eleição deste ano.

Procurada, a assessoria de imprensa da senadora disse que as doações foram declaradas ao TSE e que é natural ela receber contribuições de empresas ligadas ao setor produtivo. Em nota na última sexta-feira, a Fiagril disse que os fatos atribuídos à empresa e a Marino Franz são “infundados”.

 

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